terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PMJP INAUGURA CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL NO BAIRRO DO RANGEL

 

O prefeito Ricardo Coutinho inaugurou, recentemente, o Centro de Atenção Psicossocial-AD (CAPS) David Capistrano Filho, que vai atuar no pronto atendimento a adultos com transtornos mentais decorrentes do uso/abuso e dependência de álcool e outras drogas.

O CAPS-AD está localizado na rua José Soares, s/n, no Bairro do Rangel e oferecerá leitos para internação. Além do pronto atendimento, o CAPS-AD vai realizar tratamento com medicamentos, atendimento aos familiares e terapia individual e comunitária com psiquiatras e psicólogos, visitas domiciliares e oficinas culturais.

Esse novo centro especializado faz parte da política de saúde mental desenvolvida pela Prefeitura de João Pessoa (PMJP)  através da Secretaria Municipal de Saúde que envolve mais três unidades do CAPS, sendo uma delas voltada para crianças e adolescentes portadores de transtornos mentais e usuários de álcool e drogas.

Esses centros contam com uma equipe especializada de profissionais entre psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, professores de educação física, farmacêuticos e arte educadores.

Além dessas unidades, o Complexo Hospitalar governador Tarcisio Burity (Ortotrauma), em Mangabeira, possui o Pronto Atendimento em Saúde Mental (PASM), que realiza atendimento em urgência e emergência psiquiatra com leitos para observação e atendimento diário a pacientes com transtorno psíquico agudo/grave. A equipe multiprofissional é composta por psiquiatra, clínico geral, assistente social e enfermeiros.

Também já está funcionando o projeto consultoria de rua. Aprovado pelo Ministério da Saúde, será desenvolvido experimentalmente em João Pessoa e em outras 13 cidades brasileiras.

O projeto vai disponibilizar um veículo, onde uma equipe fará a abordagem às crianças e adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade social e que fazem uso de crack e outras substâncias psicoativas em logradouros públicos do município.

O consultório contará com profissionais de saúde mental, enfermagem, assistente social e Redutores de Danos com intervenções preventivas, educativas, psicossociais e de assistência à Saúde no próprio espaço de Rua e em articulação com unidades de Saúde da Família de Referência.

Transcrito da Secom-JP


CRACK – QUEM É VOCÊ ?

 

O termo crack vem do verbo ”to crack”, do vocabulário inglês, que significa .quebrar, pequenos estalidos. Contudo, no mundo das drogas crack é o nome dado a uma das formas de apresentação da cocaína. Constituindo-se em cocaína base acrescida de bicarbonato de sódio e soda cáustica. Esta mistura é cozida, ficando petrificada. Após resfriamento, é triturada em pequenas pedras de cor amarelada que são fumadas pelos seus usuários. Normalmente os “crackeiros” para consumirem a droga, misturam-na com cinzas de cigarros (tabaco), e utilizam-se de cachimbos improvisados em latas vazias de refrigerantes ou cervejas. O nome crack deve-se exatamente ao barulho que a cocaína em forma de pedra faz quando está sendo fumada.

Nos EUA, é comum os traficantes produzirem o  crack  de forma diferente daquela utilizada aqui na América do Sul. Por ser incomum a presença da pasta base de cocaína naquele país, estes fazem um processo inverso a partir do cloridrato de cocaína (cocaína em pó), acrescido com anfetaminas e bicarbonato de sódio, transformando este composto em uma “base” para em seguida ser fumada, podendo também ser misturada ao haxixe (variedade da maconha).

O crack tem efeitos bem mais acentuados e devastadores que a cocaína na forma de cloridrato (pó), pois sua ação é intensa e de pequena duração, cerca de três a cinco minutos. Assim, passado o efeito estimulante, os usuários desta droga são acometidos de um forte sentimento de angústia, de desânimo, sendo impelidos a repetir o uso, na tentativa de sentirem a mesma sensação de euforia, o que os torna suscetíveis ao vício. Valendo lembrar que o poder viciante de qualquer droga, é diretamente proporcional a repetição do uso.

È comum os usuários de “crack” também serem acometidos de irritabilidade, insônia, ansiedade, depressão, extrema paranóia, náuseas, convulsões e, muitas vezes, morte. Tendo se tornado atualmente um fator de desestruturação familiar e social preocupante, bem como um forte  impulsionador da violência, haja vista, que os drogadictos, no afã de conseguirem a droga, frequentemente subtraem objetos dos seus familiares, vendem seus próprios bens, se envolvem em furtos na rua, em assaltos, roubos e atritos com seus pares, com um único propósito: consumir a droga.

Desta forma, há uma necessidade urgente e inadiável, que a sociedade, por meio dos seus diversos segmentos públicos e privados, assuma sua cota de responsabilidade. Precisamos nos conscientizar que, enquanto permanecermos com nossa indignação apenas em estado de repouso, nada mudará, como bem afirma o educador  Paulo Freire: “Hoje cada um é chamado a fazer a sua revolução. Seu estilo será molecular. Como cada molécula interage com o meio e garante sua subsistência, assim cada qual deverá operar as mudanças lá onde se encontra e em interação com o meio ao seu alcance”.
 
Deusimar Wanderley Guedes
Psicólogo e advogado
deusimar.dwg@dpf.gov.br

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

OS INALANTES E SEUS EFEITOS



Por Deusimar Wanderley
         
Os inalantes ou solventes são substâncias voláteis vendidas legalmente para utilização na indústria ou serviços domésticos. Contudo, muitas destas têm sido utilizadas indevidamente como drogas com fins recreativos. 

Como exemplo de alguns destes compostos podemos citar: gasolina, cola de sapateiro, solventes de pintura, éter, tintas, clorofórmio, thinner, esmaltes, removedores, vernizes, acetona, cloretila (lança-perfume), “loló” etc. 

O abuso de certos inalantes, como cola de sapateiro e thinner, são mais frequentes entre crianças e adolescentes, constituindo-se estes, na terceira droga mais abusada depois do álcool e do tabaco, e na primeira entre crianças e adolescentes que vivem nas ruas de cidades brasileiras. 

Uma outra substância inalante bastante conhecida e frequentemente utilizada indevidamente e abusivamente no Brasil, especialmente por frequentadores de bailes carnavalescos é a “lança-perfume”. 

            No nosso país, há décadas passadas, era permitido o uso de um lança-perfume fabricado pelo laboratório Rhodia, conhecido comercialmente por “Rhodoro”, mas, sua fabricação foi proibida por conta dos inúmeros problemas e danos que tal substância provocou em seus usuários. Apesar desta proibição, tem sido muito comum a presença do aromatizador de ambientes em aerossol, de fabricação argentina, marca “Universitária”, em bailes carnavalescos no Brasil. Este lança-perfume possui na sua composição uma substância entorpecente chamada “cloreto de etila” ou “cloretila”, cujo consumo com fins recreativos está proscrito pela legislação brasileira (Portaria 344/98 – ANVISA / Ministério da Saúde).

Embora o efeito inicial da inalação da lança-perfume seja um sentimento de euforia caracterizada por leveza, animação, fantasias  e excitação, outros efeitos desagradáveis e danos são também muito comuns. Dentre estes podemos citar: tonturas, falta de coordenação motora, taquicardia, desmaios etc.
Uma pessoa cardíaca poderá não resistir à taquicardia provocada por essa droga pois o coração humano fica bastante sensível à adrenalina (substância que é liberada por nosso cérebro quando fazemos um esforço físico qualquer), como correr e saltar, por exemplo, algo comum a quem está em um baile carnavalesco.
   A literatura médica tem registrado vários casos de morte por “síncope cardíaca”, em usuários de lança-perfume, loló e outros inalantes, inclusive de adolescentes. 

            Devemos lembrar ainda que os solventes, quando inalados cronicamente, podem levar a lesões da medula óssea, dos rins, do fígado e dos nervos periféricos que controlam os nossos músculos. Em alguns casos, principalmente quando existe no solvente uma impureza como o benzeno, mesmo em pequenas quantidades, pode haver diminuição dos glóbulos brancos e vermelhos pelo organismo. Portanto, o uso destas substâncias, além de ilegal, na maioria dos casos, poderá acarretar também um irremediável dano ao organismo do usuário, inclusive a morte.
          

Deusimar W Guedes
Psicólogo e advogado
deusimar.dwg@dpf.gov.br

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CARNAVAL MULTICULTURAL DE RECIFE

                             Pólo Fantasia:  Redutores de Danos

A cantora paraibana Elba Ramalho, Alceu Valença e a Grande Orquestra Multicultural de Recife, regida pelo Maestro Spock, promoveram uma verdadeira apoteose do frevo na madrugada da terça-feira gorda, no Marco Zero, durante o encerramento do Carnaval Multicultural de Recife antigo.

A prefeitura municipal de Recife realizou, este ano, o mais belo carnaval do Nordeste. Foram diversos pólos multiculturais espalhados por toda a cidade, para todos os tipos de foliões que preferiram o carnaval pernambucano, em 2010. Foram criados o Pólo das agremiações, o corredor do frevo, pólo afro, pólo das fantasias e carnaval infantil; pólo das tradições, pólo de todos os frevos, pólo de todos os ritmos, pólo mangue, festival rec beat, pólo do recife multicultural, pólos descentralizados e os polinhos.

Estivemos participando, durante os três dias do reinado de momo, dos festejos carnavalescos do pólo multicultural de Recife antigo. Podemos afirmar que este foi, realmente, o mais belo carnaval da região. Olinda com suas ladeiras congestionadas de foliões movidos pelas orquestras de frevo, ainda consegue arregimentar multidões; mas é um carnaval sem muitas novidades. Eu diria que é mais uma opção para o encontro da juventude durante o carnaval.

Foi no Recife antigo onde, realmente, aconteceu uma festa de encher os olhos. Durante os três dias de carnaval, dezenas de agremiações se apresentaram no palco do pólo do marco zero e, em seguida, desfilaram pelas ruas do Centro Histórico de Recife antigo, num espetáculo de fantasias coloridas inesquecível. Os blocos líricos, agremiações antigas do carnaval pernambucano, despertaram aquela alegria nostálgica e encantadora que valoriza ainda mais o carnaval, resgatando o seu verdadeiro valor cultural. O mais é a diversidade de ritmos, a irreverência artístico-cultural, a criatividade dos foliões e o glamour das agremiações.

Outro aspecto que eu gostaria de destacar com ênfase diz respeito à capacidade da convivência pacífica do folião pernambucano. Durante os três dias de momo, pelo menos no marco zero, só foi registrado um episódio de violência. Foi um carnaval civilizado, se alguém lhe empurra sem querer, logo pede desculpas e segue em frente com animação, uma verdadeira maravilha. Eu recomendo essa festa carnavalesca para toda a família, sem vacilar.

Além da alegria própria, o carnaval de Recife é extremamente democrático, todos podem participar, sem restrição de espaços. Não existem cordas nem pagamento de taxas; tudo o que o folião tem que fazer é cair no frevo e acertar o passo.

Só falta falar das crianças. Pois elas também participam da festa. No período da tarde e início da noite, há desfile de blocos infantis organizados pelas escolas, evidentemente. É de embevecer ver as crianças marcando o passo do frevo pernambucano.

PREVENÇÃO

Um ponto bastante positivo para o carnaval multicultural foi a participação dos redutores de danos da Secretaria Municipal de Saúde: Mais Vida na Folia, que é uma estratégia de prevenção utilizada durante o Carnaval Multicultural. Em sua sexta edição, ela integra a Política de Redução de Danos no Consumo de Álcool, Fumo e Outras Drogas da Prefeitura do Recife, tendo como foco o estímulo à adoção de medidas preventivas em relação a comportamentos de risco, garantindo o bem-estar de todos e uma festa mais segura. Entre a apresentação de um artista e outro, o grupo Mais Vida na Folia fazia suas intervenções, alertando os foliões, principalmente os mais jovens.

Resta dizer que foi mais um carnaval sem álcool e com muita alegria para mim. Para quem acha que não é possível brincar o carnaval sem ingerir bebida alcoólica, eu dou o testemunho que é possível sim, só é preciso aprender. Mas, para quem não consegue de jeito nenhum ficar sem beber, pelo menos procure beber menos, pois sua alegria será maior. O mais é esperar que Deus me dê a oportunidade de no próximo ano poder dizer: Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço...

VEJA MAIS FOTOS


 

Carnal sem álcool

  
caindo na folia


 
 

Bloco das flores, desde 1920

Enquato isso, em Olinda, o clima estava mais para chiquititas


 

sábado, 13 de fevereiro de 2010

UM CARNAVAL SEM EXCESSOS




 Pelo sexto ano consecutivo, a banda Alegria Sem Ressaca  agitou a orla de Copacabana,  nas prévias carnavalescas do Rio de Janeiro. Criada pelo psiquiatra especialista em dependência química Jorge Jaber, a banda, que conta com apoio da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas, da Associação de Psiquiatria do Rio de Janeiro e do Sesc, levanta o estandarte do combate ao consumo de álcool e de outras drogas, que aumentam consideravelmente neste período do ano. 

A banda nada mais é do que um projeto de saúde pública e prevenção ao abuso de álcool e drogas. E tudo isso é fruto de um trabalho comunitário e que conta com o apoio de personalidades, exdependentes e seus familiares, explica Jorge Jaber. Para deixar a festa ainda mais animada, a banda conta com presença da a atriz Luiza Tomé, madrinha do bloco em 2010, e do maestro Quintanilha, do Cordão da Bola Preta, que vai reger os músicos.

A Luiza, que já passou por alguns dramas familiares ligados à dependência química, não pensou duas vezes quando recebeu o convite para ser a madrinha deste ano, o que nos trouxe muita alegria, conta Jaber. E as novidades da sexta edição não param por aí: Para comemorar os resultados positivos da Lei Seca, teremos uma ala composta por integrantes da ONG Trânsito Amigo, criada pelo Fernando Diniz, pai de Fabrício, jovem morto há sete anos num acidente na Avenida Ayrton Senna, na Barra.

Veículo: O Globo

PROJETO PROÍBE A INSTALAÇÃO DE BARES PRÓXIMOS A ESCOLAS

 

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6347/09, do deputado Francisco Rossi (PMDB-SP), que proíbe a instalação de estabelecimentos que comercializem bebidas alcoólicas próximos às escolas públicas e privadas. A distância mínima deve ser de 200 metros.

Para os estabelecimentos abertos antes da aprovação da proposta, o texto determina a afixação de avisos sobre a idade mínima para o consumo de álcool. Esses avisos devem ter dimensão mínima de 30 cm por 50 cm.

Risco de violência - Na opinião do parlamentar, a existência de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas favorece, além do consumo, acesso a jogos de azar, drogas e aumenta o risco de exposição dos estudantes à violência. Francisco Rossi cita pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) cujos resultados mostram que 16% dos adolescentes entre 14 e 17 anos consumiram cinco doses ou mais de bebida alcoólica por dia em 2007.

Outro estudo citado pelo deputado, feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra que as crianças e adolescentes não encontram nenhuma dificuldade para comprar álcool. Segundo a pesquisa, 90% dos donos de bares não se interessam pela idade de quem está comprando a bebida.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

PESQUISA MOSTRA QUE 25% DA POPULAÇÃO INGEREM 80% DO ÁLCOOL CONSUMIDO NO BRASIL

 

O consumo moderado de álcool não é regra no país. Enquanto metade da população brasileira se diz abstêmia, os bebedores apresentam alto nível de consumo de risco -bebem regularmente e em grande quantidade. Apenas um quarto dos brasileiros consome 80% do álcool ingerido no país.

Essas são as conclusões de um estudo que fez um retrato do padrão de uso de álcool pelos brasileiros, realizado pela Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que acaba de sair na "Revista Brasileira de Psiquiatria".

O estudo, o primeiro levantamento do gênero no país, entrevistou 2.346 indivíduos com mais de 18 anos em 143 cidades. Os resultados mostram que 48% não haviam ingerido álcool nos últimos 12 meses. Por outro lado, do total da amostra, 28% relataram pelo menos um episódio de crise de ingestão ("binge drinking", mais de cinco doses em homens e quatro em mulheres em uma ocasião).

Um quarto da amostra relatou ao menos um tipo de problema relacionado ao álcool (entre questões de saúde, familiares, no trabalho e violência), 3% preencheram os critérios para abuso e 9%, para dependência química. No Sul consome-se com maior frequência; nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, em maior quantidade.

Outro problema apontado é que o alto consumo de álcool continua até por volta dos 40 anos de idade. Em outros países, a ingestão cai após os 20.

Segundo a pesquisa, a bebida mais ingerida é a cerveja (mais de 60%), seguida do vinho.

"Trata-se de uma das principais causas de morte e de violência doméstica", diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, líder do trabalho. "No entanto, não há políticas consistentes para reduzir o consumo."

"É preciso persistência nos esforços de conscientização e medidas restritivas", diz o psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas. "Os efeitos do álcool no organismo variam de pessoa para pessoa e há quem sofra danos mesmo com baixas doses. Por isso, a dose sem risco é zero, já que não se sabe qual pessoa tem predisposição a desenvolver dependência."

Segundo Salgado, entre os adolescentes, a bebida é especialmente perigosa, pois o cérebro ainda está em formação e a chance de fixar o interesse pela substância é maior.

"Só havia estudos regionais ou que mensuravam abuso e dependência. Esse é o primeiro que mostra como o brasileiro bebe", diz a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, de São Paulo, e coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool. "Em 2004, a OMS (Organização Mundial da Saúde) percebeu que dados do consumo per capita não mostravam necessariamente as regiões que tinham problemas com o álcool. Um exemplo é a França, que tem alto consumo per capita e, no entanto, os franceses bebem moderadamente", diz a pesquisadora. Ela é autora de um estudo que mostrou que a prevalência de episódios de consumo pesado de álcool em São Paulo é de 15,4% nos homens e de 7,2% nas mulheres.

Política global

No mês passado, a OMS publicou uma resolução recomendando aos países membros a adoção de uma estratégia global, nos padrões das ações contra o tabaco, para reduzir o consumo abusivo de álcool. "Na prática, a resolução indica que a OMS se esforçará para convencer os países membros a se adaptarem a essa nova política. Isso fortalece a busca de soluções", afirma Laranjeira.

  • Dados são de estudo que mapeou padrões de ingestão de álcool. Pesquisa revela que metade da população não bebe.
  • Artigo mostra que consumo moderado não é a regra no país. A pesquisa ouviu 2.346 indivíduos com mais de 18 anos em 143 cidades do país


Folha de São Paulo - GABRIELA CUPANI - DA REPORTAGEM LOCAL


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

IDENTIFICAÇÃO DE FATORES GENÉTICOS DA DEPENDÊNCIA FACILITA A PREVENÇÃO DO ALCOOLISMO



                          * Entrevista com Dra. Camila Guindalini

1.Pesquisas têm evidenciado a associação entre fatores genéticos e os transtornos relacionados ao uso de álcool (abuso e dependência). É possível determinar se esses transtornos são derivados de fatores genéticos ou de outros fatores, tais como o ambiente familiar e/ou a influência de amigos? Como é possível diferenciar essas influências?

Os transtornos psiquiátricos em geral são classificados como transtornos complexos ou multifatoriais. Essa classificação deve-se ao fato de sua manifestação ser comprovadamente um resultado de uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais. Ambos precisam estar presentes para que o transtorno se manifeste. Aparentemente, estudos mostram que o uso de substâncias tenha uma influência maior dos fatores ambientais, como ambiente familiar e amigos, em contrapartida, a transição para o abuso e dependência têm uma influência maior de fatores genéticos. Isso explicaria porque após o mesmo nível de exposição, algumas pessoas se tornam dependentes, enquanto outras, não. 

2. Como os avanços na pesquisa sobre genética e alcoolismo podem contribuir no desenvolvimento de intervenções precoces? Você acredita que esses métodos poderiam reduzir significativamente os transtornos relacionados ao uso do álcool?

Ao determinarmos quais são os fatores de risco genéticos que predispõem um indivíduo a se tornar dependente de álcool, seremos capazes de indentificar essa pessoa precocemente, e tomar medidas preventivas, associadas ao que chamamos de aconselhamento genético. Esse indivíduo pode ser melhor orientado, evitando assim prejuízos futuros. É o que chamamos de medicina preventiva. Além disso, fatores genéticos podem melhorar o diagnóstico e apontar novos alvos de ação de drogas, permitindo assim, o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes.

3. Como a regulação/expressão de diversos genes pode influenciar os riscos de desenvolver transtornos relacionados ao uso do álcool?

O álcool como qualquer outra droga de abuso, se for utilizada regularmente,tende a promover sintomas conhecidos como tolerância - redução na intensidade da resposta e necessidade de consumir uma quantidade cada vez maior para se obter o efeito anteriormente alcançado. Por outro lado, a interrupção do uso de uma determinada substância, pode causar o que chamamos de síndrome de abstinência, caracterizada por sintomas físicos, como tremores, alterações cardiovasculares e alucinações; e/ou emocionais, como disforia (um estado de instabilidade de humor ou instabilidade afetiva) e anedonia (interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina). Ambos os fenômenos comportamentais de tolerância e sintomas de abstinência parecem ser derivados pelo menos em parte de adaptações biológicas/genéticas compensatórias que ocorrem durante o processo de abuso/dependência de drogas. Na tentativa de manter o equilíbrio, os sistemas cerebrais tendem a adaptar-se à presença constante da droga no organismo, diminuindo ou aumentando a concentração de determinadas substâncias, como neurotransmissores e seus receptores. A produção dessas substâncias é regulada pela expressão dos respectivos genes.

4. De acordo com seus estudos, há variações na região promotora do gene da álcool desidrogenase  (enzima responsável pela metabolização do álcool em nosso organismo) associadas a um maior risco para desenvolver a dependência alcoólica. Como isso proporcionaria uma predisposição para a dependência?

A maior parte do álcool ingerido por um indivíduo é metabolizado no fígado pela ação das enzimas álcool (ADH) e aldeídeo (ALDH) desidrogenases. A primeira converte o álcool em acetaldeído, uma substância tóxica para organismo. Por sua vez, a enzima aldeído desidrogenase (ALDH) converte o acetaldeído em acetato, dimunindo a concentração e os efeitos tóxicos do acetaldeído. Essas enzimas estão presentes em várias formas e são codificadas por diferentes genes. O gene ADH4 faz parte da família de enzimas álcool desidrogenase. Estudos têm demonstrado que variações genéticas individuais podem influenciar a taxa de conversão do álcool para acetaldeídeo e de acetaldeídeo para acetato, influenciando assim a velocidade com que o álcool será metabolizado e por conseqüência, a quantidade ingerida, a qual está diretamente relacionada com o aumento de risco em desenvolver abuso e dependência ao álcool. 

* Dra. Camila Guindalini é Pesquisadora do Departamento de Psiquiatria e Psicobiologia, ambos da Universidade Federal de São Paulo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PERDEMOS A GUERRA CONTRA O TRÁFICO DE DROGAS OU PRECISAMOS REPENSAR AS ESTRATÉGIAS DE COMBATE?

Deusimar Wanderley é advogado e psicólogo. Publica uma coluna aos sábados no jornal A União e vem se dedicando há muitos anos à prevenção e à repressão das drogas na sociedade. Deusimar editou alguns livros, enfocando o tema das drogas, que são bem aceitos pelo público. Os dois artigos, abaixo, são de sua autoria.



Alguns estudiosos acham que a guerra contra o tráfico de drogas ilícitas está perdida; outros discordam. Contudo uma coisa é certa: o consumo e tráfico de drogas têm se multiplicado, e isto é uma prova inconteste, que toda a estratégia de combate atualmente vigente precisa ser repensada.
A ONU atesta que o aparelho repressor do Estado só consegue apreender no máximo 10% das drogas ilícitas circulantes no mundo. Em relação ao tratamento da dependência química, as estatísticas também não são animadoras.
Os EUA, certamente, é hoje o país que investe o maior montante financeiro no combate às drogas. Contudo, é também o país em que mais se consome drogas ilícitas. Segundo Relatório da ONU (2008), “o tráfico de drogas movimenta anualmente em todo o mundo, cerca de 500 bilhões de dólares”. Só para termos uma idéia comparativa, a indústria farmacêutica global fatura aproximadamente 350 bilhões de dólares anualmente; a do tabaco 204 e a do álcool 280 bilhões. Como vemos, é preciso que a humanidade aprenda a desenvolver estratégias eficientes e menos danosas de como conviver com este mal.
Assim, a conscientização acerca destas substâncias e dos problemas orgânicos, familiares e sociais que estas poderão provocar aos seres humanos, e à sociedade como um todo precisa acontecer desde os primeiros anos de vida da criança. Pois, certamente a desinformação e o modelo social hoje vigente são os dois principais facilitadores para que seres humanos, especialmente adolescentes ingressem nas drogas, e uma parcela significativa destes se torne dependente destas substâncias. Todos nós sabemos que não há uma resposta segura ou fácil quando o assunto é droga, embora quase todas as pessoas possuam de pronto uma opinião formada. Mas de uma coisa podemos ter certeza, quanto mais bem informadas as pessoas são, mas difícil destas se tornarem dependentes das drogas; e estas informações têm que estar desvinculadas de valores morais, religiosos, econômicos, políticos etc.
Investimentos significativos por meio de campanhas educativas e informativas ininterruptas que obedeçam as realidades e desigualdades culturais de cada localidade precisam ser feitos.
Dentre as dificuldades no enfrentamento desta questão podemos citar: a falta de investimentos públicos na área preventiva-educativa, visando desestimular o consumo; o modelo social consumista; a tolerância da sociedade; o fácil acesso a essas substâncias, e a omissão generalizada hoje reinante nos diversos segmentos sociais. Temos uma indignação social em estado de repouso, e é preciso que esta indignação seja instigada a se manifestar.
Assim sendo podemos afirmar, que, ou a sociedade acorda e resolve se unir e fazer frente ao uso indevido de drogas, ou esta sociedade num futuro muito próximo irá soçobrar dominada pelo uso desenfreado e deletério destas substâncias.
Texto extraído do livro: Drogas – Problema Meu e Seu, de autoria deste colunista.
Deusimar W Guedes
Psicólogo e Advogado
E-mail:contato@deusimarguedes.com.br



O QUE LEVA OS JOVENS ÀS DROGAS

É impossível enumerarmos com segurança quais são os fatores que levam alguém às drogas. É certo que tal fato está relacionado a problemas sociais, familiares, educacionais, culturais, etc, aos quais se encontra exposta a nossa sociedade. Certamente, as condições de vida nas “Favelas”, o acesso fácil às drogas, a falta de empregos e consequentemente de perspectivas no futuro, o crime organizado, a impunidade, entre outros, são fatores que contribuem para este problema.
Outro aspecto a ser considerado é que os seres humanos sempre tentaram modificar o humor, as percepções e sensações por meio de substâncias psicoativas, com finalidades várias, como: religiosas, culturais, curativas, relaxantes ou, simplesmente, prazerosas.
Alicerçados nas inúmeras entrevistas que sempre fazemos com jovens envolvidos com o uso indevido de drogas, dois fatores são muito citados por estes, como sendo impulsionadores para o ingresso nas drogas, quais sejam: a influencia dos amigos e a fácil disponibilidade destas substâncias.
Lembramos ainda, que a transição da infância para a idade adulta é raramente suave, e muitas pessoas não se sentem emocionalmente preparadas para enfrentar os problemas com que se deparam. Some-se a isto o fato de que na puberdade e nos primeiros anos da adolescência, há um afrouxamento dos laços familiares, uma diminuição da autoridade paterna, uma crescente responsabilidade e um amadurecimento sexual. Com isto, o adolescente, assediado por ansiedades, frustrações, medo de fracassos, conflitos e dúvidas internas, pode buscar refúgio, por vezes, nestas substâncias.
Outro aspecto a considerar é a aceitação e até o incentivo que a sociedade ocidental, principalmente, promove das drogas legalizadas, como o Álcool e o Tabaco. Esta tolerância tem sido uma mola propulsora para o envolvimento de muitos jovens com as mesmas e, conseqüentemente, com outras substâncias psicoativas. Infelizmente, somos uma sociedade regada ao Álcool; para qualquer comemoração as bebidas alcoólicas sempre estão presentes: no nascimento do bebê, no batizado, nos aniversários, nos casamentos, nas vitórias da vida pessoal e até nas festas religiosas. Além destas, aquelas drogas de uso terapêutico, como os Calmantes, Antidepressivos, Moderadores de Apetite, Analgésicos, etc, são também usados abusivamente por pais e mães, que passam com isto uma mensagem negativa para os filhos, que aprendem, desde muito cedo, a recorrer sempre a uma droga quando acometidos de alguma contrariedade, como uma pequena dor, um momento de angústia, ou uma tristeza qualquer.
Assim, problemas comuns a todo ser humano, como: tristeza, descontentamento, solidão etc, passam a ser vistos como situações a serem eliminadas com o consumo de substâncias. Desta forma, podemos afirmar que, o modelo social consumista reinante na sociedade contemporânea, é tão nocivo quanto o próprio poder devastador das drogas.
Deusimar Wanderley Guedes
Psicólogo e advogado
deusimar.dwg@dpf.gov.br

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A PRÓXIMA VÍTIMA


A população de João Pessoa ainda está consternada com a recente tragédia no trânsito, que culminou com a morte da advogada Fátima de Lourdes Lopes Correia, chefe da Defensoria Pública da Paraíba. Foi o segundo acidente com vítimas fatais no mesmo cruzamento da Av. Epitácio Pessoa com a Rua João Domingo, no Bairro de Miramar. HÁ cerca de dois anos, no mesmo local, outro acidente automobilístico ceifou a vida de três pessoas de uma mesma família. Nestes dois casos, os danos para a sociedade são inestimáveis.


Um detalhe preocupante, nos dois acidentes, é que eles foram provocados por motoristas embriagados, já que o excesso de velocidade e a negligência com sinais de trânsito era apenas conseqüência da alcoolemia. O problema agora é saber quem será a próxima vítima no cruzamento da morte. Nenhuma providência rigorosa foi tomada para evitar dirigir embriagado na cidade. Além disso, outra questão precisa ser resolvida de imediato. De quem é a responsabilidade pelos acidentes de trânsito envolvendo motoristas alcoolizados?


O senso comum vai imputar a responsabilidade aos próprios motoristas. As pessoas vão dizer que a culpa é dos irresponsáveis, assassinos do trânsito etc; o que significa individualizar a questão. Nesse sentido, o Brasil segue o mesmo modelo dos Estados Unidos, quanto à saúde pública. A saúde é vista como uma questão relacionada ao comportamento individual. O uso de álcool, seja de forma abusiva ou dependente, é um problema de saúde pública em qualquer lugar do mundo civilizado. Não tenho o objetivo de inocentar ninguém da responsabilidade pelos seus atos inadequados, principalmente quando eles resultam em infrações graves ou conseqüências fatais para outras pessoas. Não se trata disso, o problema é tentar entender a questão do motorista alcoolizado de um ângulo mais abrangente.


O modelo individualista isenta os verdadeiros responsáveis pela saúde pública; em alguns casos, as vítimas viram culpados, como é a situação dos dependentes químicos. Há uma forte tendência à dissimulação da responsabilidade pela saúde no modelo individualista. Geralmente, a vítima vira culpado. A saúde pública é um problema social que envolve questões de ordem econômica, educacional, de comunicação, de políticas públicas, da família e, principalmente, do Estado. Isto significa dizer que é um problema complexo e para tanto é necessário abordagens mais complexas para solucioná-lo.


Por trás dos motoristas embriagados existe uma verdadeira negligência do Estado em fazer cumprir a Lei. O Brasil tem uma política pública impecável para o álcool, nada deixando a desejar aos países do primeiro mundo. No entanto, essa política não está sendo executada, nem o simples uso do bafômetro está sendo cumprido. Mas isso não acontece por acaso, é fruto de pressões de setores poderosos que conseguem interferir no processo social de forma profunda. Refiro-me ao problema da indústria do álcool na nossa sociedade, um tecido bem organizado empresarialmente, cujo principal objetivo é aumentar o consumo de bebidas alcoólicas em todos os segmentos, sem se importar se os consumidores são crianças, adolescentes ou adultos com predisposições à dependência; sem se preocupar também com os danos causados á sociedade.


No caso de acidentes de trânsito envolvendo motoristas embriagados não há culpados, apenas vítimas. Um é vítima do alcoolista que, por sua vez, é vítima da indústria do álcool e da falta de políticas públicas nessa área. Como exemplo dos prejuízos causados pela indústria do álcool, podemos citar mais de 60% dos acidentes de trânsito, 60 diferentes condições médicas provocadas por violência, acidentes; problemas escolares, problemas no ambiente de trabalho e alto índice de admissões em hospitais psiquiátricos. O uso de álcool também está presente nos problemas da violência doméstica contra mulheres, crianças e adolescentes, violência urbana, abuso sexual, prostituição, roubos etc.


Se observarmos o problema com o olhar da responsabilidade social, entenderemos, sem muito esforço, que a indústria do álcool é uma indústria do mal, que só traz prejuízos à sociedade. Portanto, essa indústria precisa urgentemente de controle social. Aliás, vale salientar que só nos países periféricos é que o álcool não está sob um forte controle de aparatos de políticas públicas.


O Brasil é, na verdade, o paraíso da indústria do álcool. Este é um dos setores da economia que nunca tem prejuízos, sua lucratividade aumenta progressivamente. Isto acontece em detrimento de muitas vidas que são ceifadas ou simplesmente prejudicadas pelos anos perdidos pelo alcoolismo. A indústria do álcool a todos engana com a apresentação dos seus produtos com uma roupagem amistosa e inofensiva. Entretanto, é a principal inimiga da sociedade. Parte dos equívocos sociais com relação ao álcool é responsabilidade da mídia. Essa indústria é um dos principais anunciantes nos meios de comunicação de massa. Precisamos dar um basta a essa situação.


Outra fatia da responsabilidade cabe às instituições públicas: às escolas que devem fazer prevenção, aos órgãos policiais que precisam fiscalizar o uso de álcool e direção, ao ministério público que deve estar atento à comercialização inadequada do álcool. Nesse contexto, todos são responsáveis. O problema também está na cultura, o álcool é visto como mediador das relações sociais, promotor da alegria e, inclusive, como afrodisíaco. Tudo isto é um grande equívoco fruto de distorções culturais reforçadas pela publicidade. Tecnicamente o álcool é uma droga com forte condição para causar dependência química e só traz sofrimento e dor às sociedades que o adotam como substância lícita.


Os mais prejudicados pela indústria do álcool são os bebedores sociais e os abusadores. Ao contrário do que se pensa, os dependentes, ou alcoólatras, não interessam mais à indústria do álcool, já deram tudo o que tinha para dar: seu emprego, sua família; seus bens de uma maneira geral e até sua dignidade. Estes representam um grande problema, já que demonstram o estrago que o álcool promove na vida das pessoas.


Será que nós vamos ficar apáticos esperando a próxima vítima fatal de algum motorista embriagado no cruzamento da morte, ou em outro cruzamento, ou qualquer esquina da nossa cidade? É hora de tratar desta questão com seriedade e isto só se faz com políticas públicas adequadas. Precisamos exigir bafômetro nas principais artérias e nos locais onde há distribuição de álcool. Precisamos orientar nossos jovens nas escolas com relação aos riscos do uso de álcool, as famílias devem estar atentas ao beber abusivo dos seus membros; enfim, toda a sociedade precisa reagir, senão a próxima vítima pode ser você.


Crisvalter Medeiros


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O ÁLCOOL DESTRÓI O CÉREBRO E EMBURRECE OS JOVENS


Os adolescentes andam bebendo demais. A maioria dos jovens, meninos, e, cada vez mais, as meninas, ficam bêbados em quase todas as festas de finais de semana. E a chance de colocarem suas vidas em risco, nestas ocasiões, é enorme. Pessoas extremamente inteligentes, antes da festa, podem, após alguns copos, tornarem-se completos idiotas e fazerem as maiores barbaridades.

O consumo de álcool entre os adolescentes tem crescido assustadoramente e começa cada vez mais cedo. Atualmente, no Brasil, aos redor dos 12 anos.

Diversas pesquisas sobre o assunto, das melhores universidades americanas e brasileiras, revelam que o álcool pode causar danos ao hipocampo e que o completo desenvolvimento do cérebro e, mais especificamente, do lóbulo frontal só ocorre ao final da adolescência (que pode ser até os 24 anos), e concluíram que os danos causados às células neuronais que estão sendo mortas ou lesadas a cada bebedeira vão trazer consequências graves no futuro.

Sim, o álcool pode lesar o cérebro.

Segundo as pesquisas da Universidade da Califórnia, adolescentes que haviam se embebedado pelo menos cem vezes (contando os finais de semana de festas, vemos que isso não é difícil de acontecer), dos 14 aos 16 anos, apresentaram pior desempenho em testes de memória e, ainda, um hipocampo menor do que os que não bebiam.

Isto quer dizer que o álcool pode, também, diminuir o tamanho do cérebro.

Três milhões de adolescentes contraem doenças sexualmente transmissíveis a cada ano no mundo. Nos EUA, duas pessoas jovens contraem aids a cada hora. Aqui, os consultórios ficam repletos de meninas violentadas ou arrependidas de terem praticado sexo com estranhos, ou no mínimo, infectadas com o vírus HPV ou várias DSTs, após algumas festas, como no Carnaval, ou no Planeta Atlântida. E por quê? Corpo de bêbado não tem dono...

Outra alarmante conclusão dos últimos estudos sobre o assunto também revelou que quase a metade dos adultos que começaram a beber antes dos 14 anos torna-se alcoolista. Entre os que iniciaram beber depois dos 21 anos, o percentual de dependência cai para apenas 9%. A formação completa do cérebro só acontece ao redor dos 21 anos.

Podemos pensar, então, que quem toma porres com menos de 21 anos estará lesando um cérebro em desenvolvimento, e, portanto, tenderá a ter um cérebro subdesenvolvido quando adulto.

Além disso, o álcool é a porta de entrada para as outras drogas: maconha, ecstasy, cocaína e o famoso crack. É fácil, estando alcoolizado, ser convencido por um pseudoamigo a experimentar qualquer uma destas drogas. Aí, é lesão cerebral na certa.

Algumas doenças mentais, como o transtorno bipolar, por exemplo, quando existe um histórico familiar e uma predisposição genética, podem vir a desenvolver-se com o abuso do álcool e das drogas.

Fico impressionada quando vejo alguns meninos e meninas completamente alcoolizados, voltando para casa de manhã, quando eu estou acordando. Onde estão os pais para ver isso? Ou será que, pior ainda, veem e acham que não há nenhum problema nisso? Ou será que têm receio de dizer alguns “nãos”?

Os pais têm o dever e o direito de impedir que seus filhos comecem a beber muito cedo e demais. Os jovens precisam, principalmente, de limites e orientação. Dar limite é cuidar. Dar limite é dar amor.

Proíba seu filho de beber antes da idade certa. Não ofereça bebida alcoólica para seu filho, não beba com ele, não patrocine as festas de aquecimento, nem nenhuma festa jovem regada a álcool em sua casa se seu filho ou filha é menor de 18 anos, ou você poderá ser um pai ou mãe filicida.

Ajude seu filho ou filha a ter coragem de chegar em uma festa e recusar a bebida e enfrentar a pressão. Ensine a ele ou a ela que isso não será “pagar um mico”, mas um ato de muita bravura e personalidade. Menino macho mesmo pode ser aquele que tem coragem de não beber com a turma. Menina de cara limpa é mais valorizada do que cheirando a vômito.

Temos que impedir que essa geração de jovens maravilhosos, inteligentes, se torne uma geração de adultos dependentes, sequelados, desmemoriados, lesionados ou drogados pelo álcool. O futuro do mundo e das próximas gerações depende deles.

Carla Rojas Braga é Psicóloga e psicoterapeuta

Zero Hora