A 8ª Pré-Conferência aconteceu na Escola Municipal Darcy Ribeiro
Encerraram-se, ontem (11), as Pré-Conferências Municipais – Construindo a Política Pública sobre Drogas do Município de João Pessoa. As últimas reuniões aconteceram nas Escolas de Ensino Fundamental Darcy Ribeiro e Oscar de Castro, no Funcionários II e em Cruz das Armas, respectivamente. Segundo o presidente do Conselho Municipal Antidrogas, professor Jorge Gomes (UFPB), cerca de 500 pessoas participaram das nove (9) pré-conferências que foram realizadas em todas as regiões de ensino da Prefeitura Municipal.
O professor Jorge informou que os relatos dos representantes das comunidades apontam para o aumento da violência relacionada ao uso de drogas, principalmente o crack. “A situação mais preocupante é das escolas que estão sendo ocupadas pelo narcotráfico”, revelou.
Professor Jorge Gomes (UFPB), presidente do COMAD-JP
Ele acrescentou que as propostas mais comuns, reivindicadas para reverter o problema do aumento do uso de drogas nas comunidades, são a educação de qualidade e em tempo integral nas escolas públicas, capacitação com o foco na geração de renda, além da utilização dos recursos que estão ociosos nas áreas de esporte e lazer para a juventude. “Isto se pode fazer com poucos recursos e criatividade’, assinalou o professor.
Jorge informou, ainda, que a população esteve bem representada nas pré-conferências. “Tivemos a participação de estudantes, professores, profissionais liberais, lideranças comunitárias, pais, usuários, ex-dependentes e os adolescentes protagonistas”, esclareceu.
Os segmentos comunitários estiveram representados no evento
As nove conferências foram realizadas sem muito apoio institucional, mas com o estímulo e a vontade da equipe constituída por Jorge Gomes (COMAD/UFPB), Lawrencita Espínola (PAIAD/ UFPB); Socorro Caldeira (CCS/UFPB); Fabiana Uchôa Oliveira (Comad); José Marcos da Silva (Comad), Socorro Braga (Comad) e o vereador Geraldo Amorim (Comad).
Educadoras participaram das pré-conferências
Durante o evento foram eleitos 100 delegados que vão participar, juntamente com os conselheiros do Comad e de um grupo de pessoas de notório saber na área de políticas sobre drogas, da 1ª Conferência Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas, que será promovida pelo Comad da Prefeitura Municipal de João Pessoa, nos próximos dias 25 e 26.
Lula está preocupado com o crescimento do uso de crack
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou hoje (8) que pediu ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República que organize um seminário com especialistas para discutir o aumento do uso de crack nas cidades brasileiras, principalmente entre os jovens.
Lula manifestou preocupação com a dimensão que o vício do crack está alcançando. “Está pegando muito duro na nossa juventude, portanto, temos que ter um tratamento muito especial, sobretudo nas camadas mais pobres da população, porque é a droga mais barata. Precisamos fazer uma discussão séria no Brasil envolvendo os educadores, os pais”, disse em entrevista à Rádio Melodia FM, do Rio de Janeiro.
Perguntado sobre sua posição em relação à legalização das drogas, Lula afirmou que é contrário. “A princípio sou contra a legalização de drogas, não me consta que venha ajudar acabar com a droga no Brasil ou em qualquer país do mundo.”
Durante a entrevista à rádio, que é evangélica, o presidente também foi perguntado sobre o aborto. Ele respondeu que pessoalmente é contrário, mas, como chefe de Estado, tem que tratar o assunto como uma questão de saúde pública e dar a garantia de atendimento às mulheres que precisem de cuidados médicos em função de um aborto feito em condições precárias.
Agência Brasil - Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil
LA PAZ — A produção de maconha na Bolívia aumentou 500 vezes na última década, passando de quatro para mais de 2.000 toneladas, segundo o relatório do chefe da polícia boliviana de combate às drogas, que citou o Brasil como um dos principais destinos do entorpecente, informou nesta segunda-feira a imprensa local.
O relatório do chefe nacional da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN), coronel Félix Molina, indica que em 2009 sua unidade conseguiu apreender mais de 1.900 toneladas de maconha - 90% da produção total, que é destinada ao consumo local ou exportada para Brasil, Argentina e Chile.
"Nesta administração estamos determinados a combater o cultivo da maconha, que disparou", afirmou Molina, citado pelo jornal La Razón.
De acordo com relatórios estatísticos da FELCN, as apreensões de maconha aumentaram nos últimos 10 anos: 3,7 toneladas em 2000; 7 em 2001, 8,7 em 2002; 8,5 em 2003; 28,2 em 2004; 34,5 em 2005; 125,3 em 2006; 423,8 em 2007; 1.112,5 em 2008 e 1.973,4 em 2009.
Uma manobra legislativa adiou, mais uma vez, a votação do projeto de lei nº 315/08 que trata da restrição do consumo de tabaco em ambientes fechados. Segundo informações colhidas no site do senado, o processo estaria pronto para o debate na Comissão de Constituição e Justiça desde o dia dois de fevereiro, e não foi incluído a tempo na pauta de votação, que se realizaria no dia três de março.
A oposição ao PL 315/08 começou quando o senador Romero Jucá apresentou o PL 316/08, que aprova áreas coletivas para os não-tabagistas, em agosto de 2008, no mesmo dia em que o senador Tião Viana enviou a proposta de alteração da Lei 9294/96 à CCJ.
Em outubro de 2008, o senador Antonio Carlos Junior (DEM-BA) solicitou a tramitação conjunta dos dois projetos por tratarem do mesmo tema. Em maio de 2009, a Senadora Marina Silva (PV-AC), relatora da matéria, aprovou o projeto de lei de Tião Viana, rejeitando o de Romero Jucá.
Em dezembro de 2009, mesmo com a presença do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defendeu o PL n 315 por atender as diretrizes da Convenção Quadro para Controle do Tabaco antes da leitura do relatório pela senadora Marina Silva (PV-AC), a presidência da CCJ concedeu pedido de vista coletivo adiando assim a votação.
Na penúltima manobra, em dezembro de 2009, o senador Antonio Carlos Junior solicitou voto em separado apoiando a emenda do senador Jucá.
A PL 315/08 do senador Tião Viana, que não integra a CCJC propõe a modificação do artigo 2 da Lei n.9294/96 proibindo o uso de “cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígero, derivado ou não de tabaco, em ambiente fechado, publico ou privado”.
Na justificativa do PLS 315, Tião Viana afirma que a razão de um grande número de países ter aprovado leis que proíbem o ato de fumar em ambientes fechados é o reconhecimento de que não existem meios técnicos eficazes para proteger os não-fumantes e, principalmente, os trabalhadores que labutam nesses ambientes, da ação dos poluentes que decorrem da queima de tabaco.
O senador Tião Viana vem mencionando ao longo dos meses o intenso lobby que a "Souza Cruz" vêm fazendo junto aos seus colegas.
COMENTÁRIO E INDICAÇÕES:
Na realidade, o PL 316/08, do senador Romero Jucá consegue retroceder a legislação atual 9.294/96, que está defasada com relação as melhores práticas de saúde definidas pela Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, primeiro tratado internacional de saúde pública, da qual o Brasil é signatário.
Sendo assim, seria imprescindível coletar apoio da sociedade civil para que haja manifestações através de e-mails para os senadores que compõe a CCJ apoiando o PL 315/08, do senador Tião Viana, sinalizando que a sociedade civil organizada está atenta as possíveis manobras que atendem diretamente aos interesses da Indústria do Tabaco em um ano atípico, por ter um calendário eleitoral.
Este processo de enfrentamento entre a saúde pública e os interesses econômicos da indústria do tabaco, cujo lucro se baseia na manutenção de fumantes, ampliação de novos consumidores e da poluição tabagística ambiental, certamente mostrará a população brasileira quem são os representantes que defendem a qualidade de vida da nação.
E para concluir, o termo "liberdade de expressão" utilizado repetidamente pela Indústria do Tabaco em defesa de seus interesses foi corretamente empregado em pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em dezembro de 2008, quando 85% dos jovens entre 11 e 22 anos se manifestaram contrários ao fumo em ambientes fechados. Mesmo até entre os jovens fumantes este índice chegou a 63% evidenciando que a cidadania consciente e solidária ainda é a melhor solução.
Click e veja a relação dos senadores da CCJ para envio de mails.
Alcoólicos Anônimos (AA) é uma irmandade de homens e mulheres que promove a recuperação de alcoolistas a partir da troca de experiências sobre os problemas provocados pela dependência do álcool, com o objetivo de alcançar a sobriedade. Fundado em 1935, nos Estados Unidos, o AA está presente em mais de 150 países do Ocidente, com cerca de 2 milhões de membros.
As principais características do AA, como é conhecida a irmandade em todo o mundo, é de uma entidade sem fins lucrativos, que funciona de forma auto-suficiente a partir das contribuições dos seus próprios membros; não tem associação político-partidária nem religiosa. Não restringe o ingresso de ninguém, em absoluto, já que a única exigência para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Os alcoólicos anônimos garantem o sigilo absoluto dos seus membros, que também não precisam se identificar para serem incluídos, sendo exigido apenas um nome para identificação pessoal
O AA nasceu na cidade de Akron, nos E.U.A, a partir do encontro de um financista da bolsa de valores de Nova Iorque, que estava falido em decorrência da crise de 1929 e do seu alcoolismo, conhecido como Bill Wilson, e de um médico cirurgião, o Dr. Bob Smith. A literatura do AA refere-se a uma contribuição do psiquiatra Gustav Jung, que chegou a se corresponder com Bill, após ter tratado do alcoolismo de um industrial americano.
O AA se fundamenta em 36 princípios conhecidos como, Os Doze Passos de Alcoólicos Anônimos, As Doze Tradições de Alcoólicos Anônimos e os 12 conceitos. Ao contrário do que se pensa, o AA não faz tratamento de alcoolismo, mas promove a recuperação ou seja a abstinência se o membro participar assiduamente das reuniões e aceitar as normas do grupo.
Na grande João Pessoa existem mais de 50 grupos de AA funcionando normalmente; o mais central é o da Epitácio Pessoa, Edifício Concord, sala 107. As reuniões acontecem nas segundas, quartas e sextas-feiras a partir das 19h30. Conta com um escrito geral no 3º andar do Edifício das Nações Unidas, no Centro de João Pessoa. O AA é uma entidade de base espiritual, no entanto, não professa nenhum credo religioso oficialmente, aceita a todas as religiões. Nas reuniões de recuperação não se fala em temas polêmicos, apenas nos problemas relacionados ao alcoolismo e como se libertar da dependência. O AA tem um método próprio para identificar o problema da dependência do álcool. Veja se O A.A. é para você , conheça a Literatura. O AA também conta com grupos de apoio a familiares e amigos de alcoolistas.
Terminou na "Caverna do Batman" a breve jornada de um publicitário australiano em busca de maconha legalizada em Los Angeles. E ele ainda nem estava chapado.
Uma lei aprovada em 2003 ampliou o acesso à maconha para fins medicinais na Califórnia, liberado em 1996, mas gerou uma proliferação descontrolada de estabelecimentos de venda da droga, que hoje o Estado luta com dificuldade para diminuir.
Los Angeles possui mais lojas de maconha, com ervas de vários tipos e brownies especiais, do que cafeterias Starbucks. É quase como uma Amsterdã, onde cafés autorizados vendem a droga livremente. Na Califórnia, no entanto, é necessário comprovar residência no Estado e ter uma carteirinha de paciente liberado para consumir "marijuana médica".
É imensa a lista de doenças para as quais a maconha promete aliviar a dor: glaucoma, câncer, anorexia, ansiedade, insônia, enxaqueca etc., todas catalogadas nas incontáveis propagandas de estabelecimentos em revistas e jornais locais.
A turística avenida Melrose lembra a capital holandesa. Entre lojas de roupas descoladas, estão lojas de maconha, às vezes três num quarteirão. Foi passando por ali que o publicitário resolveu tirar sua carteira.
A Folha acompanhou o processo. Para cada loja de maconha, há sempre um consultório médico especializado por perto. No Happy Medical Center, havia uma recepção protegida por vidro e uma médica de jaleco com perguntas pouco afiadas.
"De zero a dez, quanto é sua dor?", ela perguntou para o publicitário, atendido depois de dez minutos na sala de espera, sem hora marcada e após preencher um formulário de oito páginas. A médica chega a atender cem pacientes por dia. "Claro, tem gente que vem só para conseguir a droga por recreação."
Quarenta e cinco dólares depois, e a carteirinha ficou pronta. O próximo passo foi também curto. No mesmo shopping, numa sobreloja, estava a "Caverna do Batman". Após cadastro, um vendedor nos levou para a tal "caverna". "O que vão querer para hoje?", perguntou, atrás de um balcão de madeira, repleto de apetrechos coloridos para fumar a erva. "É a primeira vez? Então, por favor, experimentem nossa especialidade", disse, passando uma espécie de narguilé transparente. Apesar da insistência, a reportagem da Folha recusou.
Esta é uma discussão que tem gerado muitas controvérsias entre os estudiosos da temática, drogas. A conhecida “teoria da escadinha”, como é chamada esta hipótese, em que uma droga leve sempre serve de degrau para outras substâncias mais pesadas, é aceita por alguns e condenada por outros. As pesquisas existentes sobre este assunto, longe de esclarecer, têm sido sempre lenha extra para a fogueira desta polêmica. Dentre as alegações dos defensores da “teoria da escadinha”, está a afirmação de que o uso inaugural de uma droga leve, serviria para quebrar o gelo, ou seja, a pessoa que consome algo que altera o seu estado de consciência fica mais vulnerável a usar outras substâncias que também mexam com o seu estado emocional. Em se tratando de drogas ilegais, afirmam estes estudiosos, o uso destas romperia uma barreira moral – o sujeito usa uma vez e não recebe punição.
A partir daí, está aberto o caminho para outras ilegalidades. Por fim, ainda acreditam que existe a facilidade social, ou seja, o consumidor de “maconha”, por exemplo, tem maior probabilidade de conhecer o usuário e o traficante de outras substâncias mais fortes e mais letais. Ratificando esta tese, podemos afirmar que foram publicados recentemente alguns dados epidemiológicos de órgãos oficiais dos EUA, segundo os quais, quem usa “maconha” tem 56% mais chances de vir a consumir outro tipo de droga. O que é claro, é contestado pelos críticos da “teoria da escadinha”.
Segundo afirma o Dr. Dartiu Xavier, que é um dos estudiosos deste tema, e crítico da citada teoria, “não existem drogas leves e pesadas. Tudo depende de como o usuário se relaciona com elas. Para um alcoólatra, que metaboliza bem o álcool, cerveja é droga pesada e cocaína, não. Para alguém que não tem limites alimentares, doce pode causar dependência”, afirma.
A verdade é que nos últimos tempos os estudos sobre drogas, sejam estas lícitas ou ilícitas, têm dado muito pouca importância a distinção entre drogas leves e pesadas. A atenção tem se voltado muito mais para as teses que analisam o uso leve e uso pesado ou abusivo destas substâncias. Na nossa ótica, e embasado na nossa experiência profissional de quase trinta anos lidando com usuários, dependentes e traficantes de drogas, podemos afirmar que sem sombra de dúvidas, todos os usuários de drogas pesadas como: cocaína e “crack”, por exemplo, já passaram pela “maconha”, além de alguma droga lícita.
Isto não quer dizer que todas as pessoas que usam “maconha” vão partir para outras drogas mais pesadas, mas com certeza, a grande maioria dos usuários ou dependentes de drogas pesadas e ilícitas, como as citadas, passaram primeiro pela “maconha”, especialmente. Assim, quero acreditar, que os defensores da “teoria da escadinha”, estão mais próximos da razão.
Compilação Este instrumento pode ensinar, pode iluminar, sim, e ele pode até inspirar. Mas só poderá fazê-lo apenas na medida em que os seres humanos estejam determinados a usá-lo para esses fins. Caso contrário, será apenas fios e lâmpadas desconectadas dentro de uma caixa. Edward R. Murrow (1958)
Os meios de comunicação são vistos por alguns como a fonte dos problemas da sociedade e por outros como a fonte da nossa salvação. A verdade, evidentemente, é que a mídia é um pouco de ambos. Chegar a um acordo com o paradoxo da comunicação social é essencial para uma utilização adequada deste recurso vital.
Desde o final da década de 1980, que mídia advocacy tornou-se uma abordagem cada vez mais popular para o uso dos meios de comunicação para promover os objetivos da saúde pública. Esta abordagem visa aumentar a visibilidade, legitimidade e poder de grupos da comunidade. Media advocacy representa mais do que apenas uma forma diferente de usar a mídia para promover a saúde. É um esforço para transferir o poder para a comunidade, cultivando habilidades que podem reforçar e amplificar a voz desta comunidade. Em vez de passar uma mensagem sobre o comportamento adequado de saúde pessoal, mídia advocacy dá voz a um grupo. O método baseia-se na premissa de que a melhoria real do estado de saúde não virá apenas do aumento do conhecimento sobre a saúde pessoal mas, principalmente, a partir de melhorias nas condições sociais. O empoderamento, em vez de simplesmente preencher lacunas do conhecimento, este é o foco de mídia advocacy, que faz a diferença.
Mídia advocacy significa uma abordagem de saúde pública que reconhece explicitamente a importância do comportamento social e político e define os problemas de saúde como questões de ordem pública, não apenas individual. Mídia Advocacy é uma tentativa de preparar os indivíduos para reivindicarem o seu poder, proporcionando-lhes conhecimentos e habilidades que lhes permitam participar nas iniciativas para mudar os fatores sociais e políticos que contribuem para o estado de saúde de todos. A saúde da comunidade, não necessariamente a saúde individual, é o foco principal de mídia advocacy. A participação ativa no processo político é o principal mecanismo de promoção da saúde.
Mídia Advocacy é uma ferramenta que reúne o apoio das esferas social e política visando mudar as condições sociais. É uma ferramenta para advocates, ativistas e organizadores e, como tal, contém elementos básicos dos movimentos sociais (de protesto). Olien et al. (1989) identificaram vários princípios dos movimentos sociais que são úteis para resumir mídia advocacy. Eles descobriram que os movimentos sociais têm o objetivo de dar legitimidade a um ponto de vista da oposição, usa o lado humano das questões para destacar sua perspectiva, capitaliza as oportunidades de mídia para ganhar visibilidade e legitimidade, além de antecipar os argumentos e as ações de seus adversários, além de construir seu próprio sistemas de comunicação interna.
LEGITIMIDADE
Mídia advocacy trabalha para dar legitimidade e visão às questões de saúde no plano social e destacar a insuficiência das análises que se concentram exclusivamente na responsabilidade individual. Cada evento de mídia e todas as tentativas de participação na mídia devem enquadrar as questões de saúde em termos de causas da comunidade, em vez de comportamentos pessoais. Não importa qual é o problema de saúde, mas você precisa sempre aplicar o conceito de ir além das questões individuais para atingir o plano político social, ou seja, abordar a questão no seu nascedouro.
Qual o significado do problema, em termos políticos, quando você enquadra-o do ponto de vista do seu surgimento, ou seja, da sua causa maior? Qual a solução legítima e que tem credibilidade junto à sociedade? Quais são as definições de problemas do ponto de vista normal e excepcional, e como uma perspectiva universalista ou ambiental pode aperfeiçoá-lo? Como você poderia ganhar apoio para resolver o problema de acordo com sua definição social das causas do problema? O cerne de advocacy, do nosso ponto de vista, é conhecer as respostas para estas perguntas com o objetivo de definir o problema no seu surgimento, na sua base, e dar legitimidade à causa.
A IMPORTÂNCIA DO ASPECTO HUMANO
Para definir a agenda para as questões de saúde e direcioná-las para as bases dos problemas, mídia advocacy deve conquistar a atenção da mídia. Felizmente, a maioria das histórias sobre saúde envolve o lado humano das questões tanto pessoal quanto social, e incluem a controvérsia, a injustiça, a luta pessoal, e a procura de soluções criativas. Jornalistas contam histórias, por isso, advocates devem trazer para a mídia as suas questões enfocando o caráter humano do problema, o lado quase dramático da questão Isto significa enquadrar o problema de saúde em forma de narrativa; é também compreender a maneira como a mídia funciona. Desta forma, advocates podem criar histórias que atendam às necessidades dos jornalísticas e, ao mesmo tempo, contribuam para o bem social.
OPORTUNIDADE
Mídia advocacy usa os eventos, ou cria-os, para atrair a mídia ou ilustrar um problema. Às vezes, isso é planejado, mas muitas vezes pode não ser. Mídia advocacy precisa ser oportunista e aproveitar a grande variedade de eventos que acontecem. Quem faz mídia advocacy deve estar pronto para responder às últimas notícias que apresentam alguma oportunidade de acesso à mídia e aprender a interpretar quais dessas notícias oferecem alguma perspectiva para promover seus objetivos de política. Advocates do tabaco fazem isto constantemente. Eles usam rotineiramente as notícias sobre eventos, como um acidente de avião, um susto sobre a contaminação de alimentos, ou uma divulgação da indústria do tabaco, para criar as suas próprias notícias. Quase todas as notícias de eventos é uma oportunidade potencial para chamar a atenção para os problemas de saúde. Esta é a prática do dia-a-dia de mídia advocacy.
ANTECIPANDO A REAÇÃO DOS ADVERSÁRIOS
Bons jornalistas sempre querem saber o outro lado da história. Então, isto também deve ser adotado para mídia advocacy. Responder de forma criativa o outro lado da questão faz parte do trabalho de mídia advocacy (o outro lado é pró-ativo, criando os argumentos que os adversários têm de responder). Mídia advocacy precisa desenvolver bons argumentos e necessita antecipar a reação dos adversários. Mídia advocacy devem procurar constantemente melhorar e reformular os seus argumentos e contra-argumentos sobre a sua questão em particular para dar conta de novas perspectivas para ela.
Mídia advocacy deve levar a sério o desafio de ter de contra-argumentar com desenvoltura e de se conter dependendo do constexto do debate. Advocates do controle de armas, álcool, tabaco e da política de nutrição rotineiramente se encontram envolvidos em debates direto com pessoas de muita experiência e capacidade, a exemplo de especialistas em relações públicas, e devem ser hábeis em lidar com símbolos, temas e slogans, materiais que esses profissionais manipulam com muita destreza.
CRIANDO UM SISTEMA DE COMUNICAÇÃO PRÓPRIO E O CONTROLE DA MÍDIA
Advocates precisam de uma infra-estrutura de mídia para sustentar um movimento de mudança social. Eles precisam se comunicar de forma estratéica e dispor de um sistema próprio de comunicação. Advocates do controle do Tabaco e álcool têm feito isso usando as redes de computadores (discutido no capítulo 5 – álcool - e no capítulo 6 - tabaco). O importante é que os advocates possam se comunicar uns com os outros para discutirem uma estratégia em tempo hábil. Para tirar proveito da comunicação de massa, particularmente da mídia de notícias, os advocates têm de ser capazes de responder rapidamente sobre as questões em evidência, bem como produzirem notícias. As máquinas de fax, telefones e modems de computadores pode ser ferramentas importantes neste processo de hardware ..
Em suma, a mídia advocacy tenta alterar as regras do trabalho com os meios de comunicação. Eles movem o foco dos assuntos públicos para o que está acontecendo nas redações, visando obter maior controle sobre a forma como as questões de saúde são comunicadas. Mídia advocacy focaliza a atenção sobre o comportamento daqueles cujas decisões determinam em larga escala o meio ambiente e o social (por exemplo, empresas, órgãos governamentais e políticos), que por sua vez, definem o tipo de saúde pública para a população.
Os programas sociais de saúde em geral, tendem a se concentrar em dar às pessoas habilidades para vencerem as adversidades e superarem os obstáculos estruturais conquistando, assim, uma a vida bem sucedida e saudável. Em longo prazo, faria mais sentido promover mudanças para que mais pessoas tivessem a oportunidade de ter acesso a uma vida mais saudável, mudando o foco do âmbito da individualidade para o social (Schorr, 1988). Mídia advocacy deve contribuir para enfatizar a importância das mudanças das condições sociais para melhorar essas possibilidades. Mídia advocacy pode ser o instrumento para mudar o enfoque tradicional e limitado das condições de doença promovendo, em vez disso, uma maior compreensão das condições que vão apoiar e melhorar a saúde pública.
AJ Leibling disse: "O poder da imprensa pertence àqueles que a possuem". O desafio de mídia advocacy é fazer com isto seja menos verdadeiro. De certa forma, o poder da imprensa está sendo apropriado por aqueles que entendem como a mídia funciona. Quanto melhor a mídia for compreendida, quanto mais você entender os seus temas, quanto mais você planejar suas metas, mais chances você terá de aproveitar o poder da mídia e fazer com que o seu trabalho vire notícia.
Os três estágios essenciais de mídia advocacy poderiam ser, melhor resumidos, como: auto-defesa, reflexão e ação.
Autodefesa - significa compreender as forças que moldam a mídia de massa e saber como o seu problema está sendo retratado para que você possa reformular a sua apresentação global, de modo a refletir efetivamente os seus objetivos políticos.
A reflexão - envolve o conhecimento de seu problema, a forma como trabalhar com a mídia para desenvolver uma estratégia global. Qual é o seu objetivo global? A quem você quer falar através da mídia (público alvo)? E o que você quer que aconteça?
A ação - implica em construir a sua capacidade de trabalhar com a mídia, produzir notícias para a mídia, ação para implementar o seu planejamento, e manter o poder da mídia em favor dos interesses das iniciativas da sua organização.
COMO FAZER USO DO PODER DA MÍDIA DE MASSA?
Tenha em mente as seguintes diretrizes para o relacionamento eficaz entre mídia advocacy e os meios de comunicação:
RELAÇÕES COM A MÍDIA
Conheça o seu assunto. A informação é uma forma de moeda na mídia. Em grande parte, o seu sucesso no trabalho com os meios de comunicação vai depender da extensão do seu conhecimento sobre as questões que você pretende influenciar. Quanto mais precisa, interessante e oportuna for a informação, mais valiosa será para o jornalista. Conheça o seu problema, a ação que pretende desenvolver, e especificamente, quem tem o poder de fazer essa ação acontecer. No entanto, é importante não ir além do seu nível de conhecimento. Consulte todas as perguntas que você não pode responder com segurança e precisão com outras pessoas.
Seja confiante. Um dos maiores obstáculos ao trabalho com a mídia é a falta de confiança. Algumas pessoas se sentem em desvantagem ou intimidadas com os jornalistas, apesar de ter mais conhecimentos sobre uma determinada questão que eles. Questões comunitárias de saúde são de grande interesse para o público e aquilo que você tem a dizer é importante. Enquanto você ficar com o que você conhece bem e seguir o plano de mídia que você elaborou, você terá todos os motivos para se sentir confiante e seguro sobre o valor do seu conhecimento.
Seja escrupulosamente honesto. Nunca comprometa os fatos. Use o resultado de pesquisas e dados científicos para fazer seu matéria. O senso comum também é um aliado importante para ajudar a entender a essência de muitas questões de saúde pública. Em muitos casos, não existe uma verdade clara, e única, e a luta é para estabelecer a sua interpretação dos fatos como a verdade da sua história. Usar dados enganosos ou deliberadamente distorcidos na sua história fará sua informação equivalente a uma moeda sem valor. Além disso, o prestígio e a credibilidade como fonte de informação serão prejudicados.
Ver os Meios de Comunicação como um parceiro, não como um adversário. Você está desenvolvendo uma relação profissional com a mídia. Eles precisam de você e da sua capacidade de provê-los com fatos importantes, o acesso a programas locais e pessoas, além idéias para suas histórias. E Você precisa da mídia para contar sua história e dar destaque a sua solução. Veja o contato com cada mídia como um bloco para a construção de um relacionamento contínuo.
Faça as perguntas certas. Quando um jornalista solicita uma entrevista, as seguintes perguntas devem ser feitas: "Qual é a sua história?" "Com Quem mais você falou?" "O que você precisa realmente?" e "Qual é o seu prazo?" As respostas a essas perguntas devem fornecer-lhe uma boa visão do que você precisa saber para dar suas respostas.
Seja criativo. A notícia, como outras partes da mídia, tem a necessidade de atrair o público e, portanto, têm sempre um olho voltado para valores do entretenimento. Que você goste disto ou não, esta é a forma como ela é, e você deve ser criativo na elaboração da sua história e na forma de como apresentá-la à imprensa. Especialmente na televisão, as imagens são essenciais para contar a sua história. No rádio e na imprensa escrita, o uso de símbolos eficazes e mídia perspicaz são extremamente importantes.
MÍDIA ADVOCACY
Baseie suas ações de Mídia no apoio comunitário. A base da legitimidade para mídia advocacy vem do apoio da comunidade. Mantenha os problemas e os valores da comunidade em mente. Cultivando a experiência local, a formação de coalizões e coligações, e promover advocacy local reforça as perspectivas para a utilização eficaz dos meios de comunicação para a mudança social.
Pense sempre na origem dos problemas. Focar tanto quanto possível sobre as causas do problema e destacar as soluções relacionadas com essas causas. Isto é muito mais difícil do que centrar sobre os hábitos de saúde individuais ou as lutas dos povos que tentam superar os problemas específicos. Olhar para a origem das causas envolve a integração de justiça social e clareza na orientação para a compreensão e apresentação do problema.
Enfatizar os valores da Saúde Pública. A saúde pública tenta tornar o sistema mais ágil para os mais necessitados. Isso geralmente significa um foco sobre aqueles que são menos favorecidos em nossa sociedade. Valores de equidade na repartição dos encargos para a mudança, a eqüidade em receber benefícios sociais, e da justiça para ter acesso aos bens sociais básicos como a habitação e o emprego são fundamentais para a saúde pública. Enfatizam a saúde pública, os valores subjacentes á ação específica que você está defendendo.
Se antecipar a oposição. Misturar ciência, política e ativismo para promover a saúde cria uma grande área de atrito. Fazer oposição requer razões práticas e fundamentos filosóficas e, para isto, você precisa ser bem versado na perspectiva da oposição. Responder à oposição considerando a prática significa conhecer os seus fatos e entender as questões mais amplas que o problema envolve. Respondendo em razão filosófica significa ter uma noção clara de seus valores básicos e dos valores fundamentais de saúde pública.
Pensar em longo prazo. Os esforços de mídia de qualquer tipo devem ser colocados no contexto de um plano global para a mudança social. Se você não sabe para onde está indo, então não faz diferença qual caminho tomar. No entanto, se você defende um avanço da política e sabe aonde quer chegar, ter um plano global irá fornecer orientações importantes.
Avaliar e refletir. Dê um tempo para avaliar suas metas e objetivos e os da organização contra as suas iniciativas de mídia advocacy. Trabalhar com a mídia leva tempo e esforço, você deve ter certeza de que você está usando este recurso de forma eficiente. Pergunte a si mesmo, que agenda está influenciando suas atividades de mídia. Trata-se de sua agenda ou da agenda da mídia? Você precisa avaliar cada atividade de mídia, como ela se encaixa em seu plano global e contribui para o objetivo global.
RELEXÕES FINAIS
Uma das mensagens básicas sobre mídia advocacy é que é importante aprender as regras da mídia para fazer uma utilização adequada deste recurso vital. Como advocates, no entanto, uma outra finalidade de aprender as regras é para ser capaz de mudar essas regras. Neste caso, mídia advocacy deve pensar em longo prazo sobre a mudança de regras que influenciam o acesso e a apresentação das notícias. Algumas metas importantes na política de comunicação social devem ser incluídas no trabalho de mídia advocacy:
Maior acesso aos meios de comunicação para as organizações sem fins lucrativos, incluindo reduzir os preços da publicidade paga ou a regulamentação sobre a cobertura da imprensa local.
Maior diversidade de rostos, vozes e fontes nas salsa de notícias (diversificar a participação das fontes)
Maior controle da comunidade para os meios de comunicação.
A saúde pública é uma luta para eliminar as condições que cultivam a pobreza, a alienação e as doenças em nossa sociedade. O desafio para os advocates é, na medida do possível, centrar a atenção na origem desses problemas e colocar os holofotes sobre essas condições e aqueles que se beneficiam do sistema social que permite que isso aconteça. Camus (1948) escreveu em A Peste: "Tudo o que afirmo é que nesta terra há pestes e há vítimas, e cabe a nós, na medida do possível, não unir forças com as pestes". Esperamos que este livro torne mais difícil a disseminação das pestes.
Traduzido do livro: Media advocacy and public health – power for prevention.
De Lawrence Wallack, Lori Dorfman, David Jernigan e Makani Themba.
População quer política pública sobre drogas para João Pessoa
A violência relacionada ao tráfico e ao consumo de drogas tem aumentado nas praças públicas urbanizadas nos bairros de João Pessoa. A denúncia foi feita, ontem (26), pelo presidente da Associação Comunitária dos Moradores dos Bairros do Cristo Redentor e Rangel, José Marcelo, durante a abertura da 1ª Pré-conferência de Políticas Públicas sobre Drogas, promovida pelo Conselho Municipal Antidrogas, de João Pessoa.
O tráfico está se apropriando desses equipamentos comunitários que, paradoxalmente, foram construídos justamente com o objetivo de resgatar essas áreas públicas, transformando-as em ambientes de cultura, educação, lazer e cidadania. Os participantes do evento reivindicaram mais segurança pública nessas áreas, para que a população, principalmente os jovens, possam desfrutar desses ambientes de forma segura e pacífica. Quarenta e cinco representantes comunitários participaram da 1ª Pré-Conferência de Políticas Públicas sobre Drogas do Município de João Pessoa.
O evento, que foi conduzido pelo Conselho Municipal Antidrogas (Comad), reuniu representantes de diversos segmentos comunitários dos bairros do Cristo Redentor e Range na escola de Ensino Fundamental Dumerval T. Mendes, no Rangel, para formular as propostas de políticas que serão encaminhas à 1ª Conferência Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas, de João Pessoa, que acontecerá no auditório 211, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), da UFPB, nos dias 25 e 26 de março.
O evento, que foi bem sucedido enquanto pré-conferência, também serviu para desabafo da população, através das suas lideranças comunitárias, com relação ao aumento da violência gerada pelo narcotráfico na Capital Paraíba. As lideranças lembraram que o tráfico está dizimando os adolescentes pobres das periferias de João Pessoa, sendo urgente uma política pública adequada que reverta essa situação.
O vereador Geraldo Amorim, presente ao evento, disse que o flagelo do narcotráfico está afetando a todos os segmentos sociais e requer ações coletivas e enérgicas para combatê-lo. Geraldo é autor do projeto de lei que criou o Conselho Municipal Antidrogas. Segundo o vereador, como o Poder Executivo de João Pessoa ainda não se preocupou em criar uma política pública sobre drogas através de um debate democrático com a participação popular, o Comad está fazendo isso através da 1ª Conferência Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas.
O presidente do Comad, psicólogo Jorge Gomes, professor da UFPB, afirmou que as pré-conferências são uma oportunidade para a população aprender a fazer políticas públicas, além de reagir a um dos grandes problemas da sociedade, que é o uso de drogas.
Ao final da 1ª pré-conferência municipal sobre drogas, os participantes elaboraram três baterias de propostas sobre prevenção, tratamento e reinserção e redução de danos. O material será debatido pelos delegados comunitários, que serão escolhidos em cada pré-conferência, e transformado em um documento oficial que será encaminhado ao executivo municipal. A próxima pré-conferência de políticas públicas sobre drogas acontecerá na próxima terça-feira, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ana Cristina R. Machado, em Mangabeira.
Conselheiros do Comad-JP prontos para Pré-conferências de Políticas Públicas sobre Drogas
Os integrantes do Conselho Municipal Antidrogas (COMAD), da Prefeitura de João Pessoa fizeram, ontem à tarde (25), a última reunião preparatória para as pré-conferências municipais de políticas sobre drogas. A primeira pré-conferência será realizada hoje (26) na Escola Municipal de Ensino Fundamental Durmeval T. Mendes, das 14h00 às 17h00. A escola está localizada à Rua 14 de Julho, 891, no Bairro do Rangel, fone: 3218-9633.
A reunião do Comad, que aconteceu na Casa dos Conselhos, no Centro da Capital, contou com a participação de doze membros representando diversas instituições e entidades públicas de João Pessoa, relacionadas ao problema das drogas. A servidora da Secretaria da Educação do Município, Fabiana Uchoa, que está apoiando o evento, distribuiu os convites que serão enviados às instituições.
O presidente do Comad, professor Jorge Gomes, da UFPB, disse que o evento tem um caráter educativo e preparatório para a conferência. Os conselheiros querem que a população conheça as diretrizes nacionais de políticas publicas sobre drogas, antes da conferência. “Desta forma, os participantes poderão contribuir para a construção de uma política pública de prevenção, tratamento, inserção e redução de danos para o município de João Pessoa, na conferência do próximo mês”, disse José Marcos da Silva, representante da educação no órgão.
A conferência de políticas públicas sobre drogas de João Pessoa, que acontecerá nos dias 25 e 26 de março, será um evento de repercussão histórica para o município de João Pessoa, que passará a contar, efetivamente, com uma política pública para prevenir, tratar, recuperar, promover a inserção social e reduzir os danos causados pelo uso de substâncias psicoativas.
A pré-conferência de hoje contará com a participação de todos os conselheiros do Comad – João Pessoa, além dos representantes da comunidade que vão ouvir explanação sobre as diretrizes nacionais sobre políticas públicas de drogas e, em seguida, formular questões para serem encaminhadas à conferência em 25/26 do próximo mês. Também serão escolhidos os dez primeiros delegados à conferência.
O presidente do Comad, professor Jorge Gomes, espera contar com a participação expressiva das representações comunitárias “para que se tenha uma pré-conferência que represente democraticamente os segmentos comunitários da Capital paraibana”, enfatizou. A segunda pré-conferência será na Escola Municipal de Ensino Fundamental Ana Cristina R. Machado, em Mangabeira, no dia 02 de março, das 14h00 às 17h00.
Defendida por ex-presidentes no Brasil, México e Colômbia, a descriminalização do uso de maconha foi alvo de críticas do representante do escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Bo Mathiasen, nesta quarta-feira (24).
O representante do UNODC apresentou relatório da Junta Internacional de Fiscalização a Entorpecentes (JIFE) que aborda o assunto. “A Junta registra com preocupação que em países da América do Sul, tais como Argentina, Brasil e Colômbia, há um movimento crescente para descriminalizar a posse para uso individual de drogas controladas, em especial a maconha”, destaca o documento. “Lamentavelmente, personalidades influentes, incluindo ex-políticos de alto escalão de países da América do Sul, têm manifestado publicamente o seu apoio a esse movimento”, conclui trecho do relatório.
“A planta canabis, que é alvo dessa distorção, é ilícita e está na convenção de 1961 e o Brasil faz parte. Nenhum país tem colocado proposta de legalizar. Tem articulações de pessoas proeminentes que falam da legalização para acabar com a violência em grandes cidades”, relatou Mathiasen. “Três ex-presidentes de México, da Colômbia e do Brasil têm articulado”, complementa.
O representante do UNODC diz saber que “a violência urbana é grande nesses países”, mas argumenta que a descriminalização da maconha “não acabaria com o crime organizado”. Pelo contrário, “ele se articularia de outra forma para ganhar dinheiro”, disse Mathiasen.
A JIFE afirma que a legalização da maconha deve ser combatida pelos governos do Brasil, da Argentina e da Colômbia, porque ela representa uma ameaça ao continente. “A Junta expressa preocupação de que esse movimento, se não for combatido pelos respectivos governos de forma contundente, irá prejudicar os esforços nacionais e internacionais de combate ao abuso e ao tráfico de entorpecentes. Em todo caso, o movimento representa uma ameaça para a coerência e para a eficácia do sistema internacional de fiscalização de drogas e passa uma mensagem equivocada para o público em geral”, diz o relatório.
Nova legislação
O coordenador de saúde mental e drogas do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, disse que o governo pretende enviar ainda este ano ao Congresso Nacional uma proposta para reformar a lei nacional antidrogas. O objetivo, segundo ele, é criar mais opções para penas alternativas à prisão de usuários de drogas.
“O Ministeio da Saúde considera relevante o debate e ter legislação para distinguir o consumo eventual e o tráfico. A nossa proposta caminha no sentido de buscar legislação mais adequada, mas que em nehnhum momento deixa o consumo de maconha lícito”, disse.
Delgado explicou ainda que a proposta do governo pretende dar aos juízes, a quem cabe pela atual legislação decidir quando o usuário e o pequeno traficante devem ser presos, mais subsídios para aplicação de penas adminstrativas a essas pessoas: “Nossa ideia é mandar uma proposta de emenda à lei atual ao Congresso ainda nesse ano”.
O Conselho Municipal Antidrogas (Comad), da Prefeitura Municipal de João Pessoa, estará realizando no período de 25 a 26 do próximo mês, a 1ª Conferência Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas. O evento, que tem o objetivo de construir a política pública sobre drogas para o município de João Pessoa, acontecerá no Auditório 211, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), campus João Pessoa, da Universidade Federal da Paraíba. A participação na Conferência está condicionada à presença em uma das nove pré-conferências.
O psicólogo Gilberto Lúcio da Silva, do Ministério Público do Pernambuco, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e Drogas (Abead), fará a conferência de abertura do evento, às 19h30min, enfocando o tema: Políticas públicas de prevenção ao uso abusivo de drogas no Brasil e no mundo, no Auditório 211 do CCSA/UFPB, campus João Pessoa.
A iniciativa é das mais pertinentes para a gestão pública municipal, já que o problema das drogas tem causado danos diversificados à população em todos os níveis. O uso de drogas, principalmente na adolescência, é uma das principais preocupações atuais dos pais, educadores, gestores dos setores públicos e privados e autoridades de forma em geral.
O presidente do Comad, professor da UFPB, Jorge Gomes, convida a sociedade civil organizada, profissionais liberais e a população em geral para participar deste momento de construção das diretrizes para as Políticas Públicas Sobre Drogas para o Município de João Pessoa. Ele informou que a 1ª Conferência Municipal Sobre Drogas será precedida de nove Pré-Conferências que ocorrerão nas áreas cobertas pelas Regiões da Secretaria de Educação, de acordo com as datas e locais divulgados nesta programação.
O professor alertou, ainda, que a participação na conferência deve ser precedida de presença em uma das pré-conferências, quando serão eleitos entre o público de cada pré-conferência, 10 (dez) representantes para a Conferência Municipal, com direito a voz e voto na plenária final. “Desta forma, democraticamente, teremos então a escolha dos representantes de cada região do município”.
A primeira pré-conferência será na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dumerval T. Mendes, no Cristo Redentor/Rangel (Pólo-02), na próxima sexta-feira (26.02), das 14h às 17h. A última pré-conferência acontecerá na Escola Municipal Oscar de Castro, em Cruz da Armas (Pólo-09), no dia 11 de março, das 14h às 17h. Click em mais informações para ver o folder do evento com a programação completa.