quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ainda há vagas para curso de prevenção ao uso de drogas



Ainda existem vagas disponíveis para a 4ª edição do Curso de Prevenção ao Uso indevido de Drogas – Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias, que tem inscrições abertas até a próxima sexta-feira (15.07). Promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) do Ministério da Justiça, as aulas são gratuitas e têm objetivo de fortalecer a atuação em rede para a prevenção do álcool, crack e outras drogas.

O curso, que já capacitou 45 mil pessoas em todo o Brasil, é destinado a conselheiros municipais de educação, saúde, assistência social, segurança pública, drogas, entre outros, que atuam na prevenção ao uso de álcool e outras drogas. Um dos diferenciais da 4ª edição é a inclusão de um capítulo específico sobre a temática do crack.

O conteúdo elaborado por especialistas reúne informações atualizadas sobre classificação das drogas e seus efeitos, padrões de consumo de drogas, tratamento, redução de danos, prevenção, legislações, políticas públicas sobre drogas e outros assuntos correlatos. A duração é de três meses com carga horária de 120 horas, na modalidade educação a distância (EAD). Os participantes receberão certificados de extensão universitária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Durante o curso serão compartilhadas ações bem sucedidas que integrarão um banco de boas práticas. Haverá também canais de comunicação – TV e internet – para teleconferências interativas com especialistas e a divulgação de reportagens sobre trabalhos bem sucedidos realizados por conselhos municipais.
Após a seleção dos inscritos, os aprovados receberão uma mensagem eletrônica, solicitando que efetivem a matrícula e comunicando outras orientações sobre o curso.

As inscrições podem ser feitas pela página http://conselheiros.senad.gov.br. Para mais informações, ligue para (48) 3952-1900 ou entre em contato pelo e-mail conselheiros4@sead.ufsc.br.
Cursos a distância

A Senad está programando mais quatro cursos sobre o tema das drogas da modalidade EAD ainda para 2011. Serão contemplados os seguintes grupos: operadores do Direito, instituições religiosas e movimentos afins, profissionais de saúde e segurança do trabalho e profissionais das redes de Saúde e Assistência Social.

Fonte: Obid-Senad

domingo, 10 de julho de 2011

CRR-IFPB PROMOVE EVENTO COM APOIO DA PASTORAL DA SOBRIEDADE DA ARQUIDIOCESE DA PARAÍBA



Pastoral da Sobriedade

Crisvalter Medeiros


Os coordenadores do CRR-IFPB – Centro Regional de Referência, órgão da Secretária Nacional de Políticas Sobre Drogas, Vania Medeiros (coordenadora executiva) e Crisvalter Medeiros (coordenador pedagógico) realizaram, na última sexta-feira (09.07), no período da noite, uma ação de extensão junto aos casais do ECC da Paróquia de Sant’Ana, da Arquidiocese da Paraíba, na Comunidade Funcionários II, em João Pessoa. O evento foi organizado pela Pastoral da Sobriedade da Igreja Católica.


Segundo os coordenadores da Pastoral da Sobriedade, Cícero e Maria da Guia, as comunidades estão cada vez mais preocupadas com o crescimento dos problemas relacionados ao uso de álcool e drogas ilícitas, principalmente com o aumento dos índices de violência. A Paróquia de Sant’Ana tem um dos grupos mais consolidados da Pastoral da Sobriedade da Arquidiocese da Paraíba.
Entendendo que a Pastoral da Sobriedade, além de um excelente recurso comunitário para promover a recuperação de usuários de drogas, através da evangelização, também pode desenvolver ações de articulação social junto à comunidade em geral, os coordenadores do CRR-IFPB promoveram uma sensibilização para a necessidade de se deflagrar ações comunitárias visando construir um ambiente preventivo e de recuperação de usuários de drogas, a partir da mobilização comunitária.


A professora Vania Medeiros fez uma explanação sobre o papel da família na intervenção para resolver o problema das drogas na comunidade, apresentando uma metodologia de como atuar na rede social do usuário que envolve, não só a família, mas o grupo de sociabilidade, a escola, a Igreja e todo o âmbito relacional do usuário.

A comunidade entendeu a necessidade da mobilização social como método de intervenção comunitária para enfrentar o problema do uso de drogas, além de reconhecer que o grupo do ECC pode desenvolver algumas ações com esse objetivo na comunidade, contribuindo para promover uma melhor qualidade de vida.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

PARAÍBA SEDIA REUNIÃO DA COMISSÃO ESPECIAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE COMBATE ÀS DROGAS

Pator João Filho presidiu a mesa

Crisvalter Medeiros

A Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas (Cedroga), da Câmara dos Deputados, fez reunião em João Pessoa para debater os problemas relacionados à prevenção, tratamento e reinserção de usuários de crack e outras drogas com representantes das entidades sociais e instituições públicas paraibanas.

A reunião que aconteceu ontem (08.07), no auditório da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), contou com a participação dos Deputados Federais Wilson Filho (vice presidente da comissão) e Hugo Motta (PMDB). O evento foi coordenador pelo Pastor João Filho, responsável pelo programa de políticas públicas sobre drogas do Governo do Estado, e pela secretária Aparecida Ramos.

 Deputado Wilson Filho alertou sobre os problemas das drogas

O objetivo da reunião foi analisar os problemas relacionados às políticas públicas de prevenção, tratamento e reinserção de usuários de drogas, procedimento que vem sendo realizado pela Comissão Especial em todos os Estados da Federação. As cartas programas geradas nos Estados, a partir desses debates, vão compor um documento que poderá atualizar alguns aspectos a Lei 11.343, de políticas públicas sobre drogas.

Os problemas debatidos no evento serão aprofundados em uma audiência pública na Assembleia Legislativa da Paraíba, no dia 08 de agosto, visando compor a carta proposta da Paraíba à Cedroga. O deputado Wilson Filho sintetizou a iniciativa reconhecendo a “necessidade de se atualizar a Lei 11.343, que na sua versão atual é impraticável”.

DEBATE


 O público debateu os problemas

No evento, foram elencados os problemas mais polêmicos relacionados ao uso, abuso e dependência de drogas, a exemplo da internação compulsória de usuários. Sobre essa questão, o assessor para assuntos sobre drogas da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil - Secional-PB, psicólogo Deusimar Wanderley, assumiu que esse procedimento deve ser adotado quando o usuário perde o controle sobre sua vida, passando a representar um perigo para a sociedade, com o objetivo de recuperá-lo para a convivência social.

Outro aspecto polêmico debatido na reunião foi a eficácia dos métodos de prevenção. Neste caso, sugeriu-se a inserção do tema droga nos currículos das escolas através dos temas transversais à educação, a adoção de medidas preventivas no ensino fundamental, e o trabalho de orientação disciplinar à cidadania desenvolvido pelo Proerd, da Polícia Militar, etc.

Com relação ao tratamento, foi lembrado que o crack está presente em cerca de 98% das cidades brasileiras, conforme pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Municípios, em 2010, e que a infraestrutura de tratamento para atender aos usuários e dependentes ainda é insuficiente. Com relação a essa questão, a coordenadora de saúde mental da Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, psicóloga Shirlene Queiroz, enfatizou de forma pertinente a necessidade de se evitar métodos de tratamento que resultem na segregação dos usuários de drogas. “Não queremos impor aos usuários de drogas, o mesmo sofrimento dos leprosos em anos recentes da nossa história”, alertou.

A relação entre uso de drogas e medidas socioeducativas imputadas aos jovens aflorou no debate. Os técnicos da área alegaram que a maioria dos jovens que cumprem medidas socioeducativas, atualmente, tem algum histórico de uso de drogas. Para esse segmento, o Estatuto da Criança e do Adolescente, que está completando 21 anos de sua implantação, seria um excelente método de prevenção, se fosse adotado como política pública em sua plenitude.

A relação entre o problema das drogas e a educação profissional foi enfatizada pela professora Vania Medeiros, coordenadora do CRR-IFPB. Segundo ela, há muitos programas de prevenção direcionados à escola que ainda não foram implantados em todos os municípios. A professora sugeriu a educação profissional como uma forma de promover a reinserção social de dependentes em recuperação.

 

O assessor da secretaria de Segurança e da Defesa Social, delegado Isaías Gualberto, citou o problema de uma das comunidades mais violentos da Capital, o Bairro São José. Segundo ele, de 24 homicídios ocorridos ano passado naquela localidade, 22 estavam relacionados com o tráfico de drogas. O delegado informou, ainda, que a Polícia Militar da Paraíba já apreendeu, este ano, 64,4% Kg. de crack; superando em 300% a captura de drogas nesse mesmo período em 2010.


A professora do Mestrado em Serviços Social da UFPB, Socorro Vieira, disse que a reunião promoveu um debate de alto nível na área da drogadição. “As questões abordadas e qualidade das discussões demonstraram que os profissionais que atuam nessa área na Paraíba amadureceram bastante nos últimos anos”.

A secretária Aparecida Ramos garantiu enviar o documento final contendo as propostas do plano de enfrentamentos ao crack, que está sendo elaborado por uma equipe multiprofissional na Paraíba, como uma contribuição estadual ao trabalho da comissão especial.

sábado, 2 de julho de 2011

O XXI CONGRESSO BRASILEIRO DA ABEAD SERÁ NO NORDESTE


A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) realiza o seu  XXI Congresso de 08 a 11 de setembro, de 2011, no Mar Hotel, em Recife-PE. A entidade, fundada em 1978, congrega profissionais que trabalham no campo da dependência química no Brasil, com afiliados e representações no país e no exterior. A comissão organizadora estará recebendo trabalhos científicos até a próxima terça-feira (5).


Segundo a comissão organizadora do evento, o tema central do XXI Congresso Brasileiro da ABEAD - “Do uso à dependência: a integração das políticas públicas com a clínica" resume com presteza o objetivo do congresso, que busca retomar um trabalho que nos últimos anos foi sendo paulatinamente deslocado por abordagens nem sempre condizentes com as "boas práticas", ou seja, intervenções ancoradas em evidências científicas.


O evento científico, que reunirá alguns dos maiores especialistas nacionais e internacionais sobre a temática, quer ampliar o leque de opções para os profissionais que lidam com a questão da prevenção e do tratamento da dependência química, praticamente reapresentando a ABEAD ao público regional, com tudo que a entidade passou a ser depositária ao longo das três últimas décadas, em termos de postura ética, coerência e divulgação de conhecimentos científicos. As inscrições para participar do evento podem ser realizadas pelo endereço eletrônico http://www.metodorio.com.br/abead2011/

VEJA PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

domingo, 26 de junho de 2011

Gestores do plano de enfrentamento ao crack na Paraíba estão preocupados com a aprovação da marcha da maconha


 Ultimato do plano de enfrentamento ao crack na Paraíba
23/06/2011 - Crisvalter Medeiros

Os gestores do plano de enfrentamento ao crack – união pela vida – na Paraíba estão preocupados com a repercussão negativa da decisão do STF relacionada à legalização da marcha da maconha sobre o entendimento da população quanto ao uso da cannabis sativa. O plano deverá ser lançado, oficialmente, no próximo mês pelo governador Ricardo Coutinho.


Os gestores do plano estiveram reunidos ontem (22), na Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano- SEDH, na Av. Epitácio Pessoa, na Capital paraibana, para os últimos encaminhamentos visando à formatação do plano de enfrentamento ao crack.


Além dos gestores do plano, a secretária Maria Aparecida Ramos, professora da UFPB, e o pastor-advogado João Filho, coordenador do Programa Estadual de Políticas Públicas sobre DrogasPEPD-PB; também participaram da reunião a professora Socorro Vieira, do Mestrado em Serviço Social da UFPB; professora Vania Medeiros, (CRR-IFPB), Shirlene Queiroz, coordenadora de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba; e Luciana Leal, técnica da SEDH.


A secretária Aparecida Ramos informou, na ocasião, que vai realizar uma oficina com os participantes do plano, no início do próximo mês, para a formatação final do documento que, posteriormente, será apresentado ao governador Ricardo Coutinho, para o lançamento oficial das ações.


Aparecida destacou três pontos importantes para a execução do plano: o aporte de recursos financeiros suficientes para uma ação tão complexa; o trabalho educativo para promover a mudança do entendimento da população sobre a cultura da drogadição, e o papel efetivo da mídia que pode contribuir para a mudança cultural da sociedade sobre o problema, promovendo um clima de sensibilização favorável.


O pastor João Filho destacou a importância e a eficácia do trabalho intersetorializado que vem sendo desenvolvido na construção do plano. Segundo ele, algumas ações no âmbito da prevenção, do tratamento e da repressão qualificada já estão sendo executadas, à medida que vão sendo construídas. Ele citou, como exemplo, as intervenções sociais no Bairro de Mandacaru e o internamento de crianças usuárias de crack em João Pessoa. “Finalmente a Paraíba acordou para o problema das drogas”, enfatizou.


MARCHA DA MACONHA


Segundo o pastor João filho, a decisão do STF, legalizando a marcha da maconha, foi uma falta de sensibilidade, por parte da Suprema Corte, com a desinformação da população sobre esse problema. “A população está entendendo que essa decisão precede a legalização da maconha, é como se o STF tivesse julgando não a marcha, mas a legalização da maconha”, lamentou o pastor.


Para João Filho, a elaboração e aprovação de leis sobre legalização de uso de substâncias psicoativas é uma atribuição do legislativo e não do judiciário.”De certa forma, “a decisão do STF vem ocupar um vácuo no legislativo, que ainda não aprovou uma lei específica relacionada à maconha”.


- Se a marcha fosse pela democratização da questão, pela liberdade de expressão, poderíamos entender e aceitar; mas uma marcha em favor da maconha que ainda é uma droga ilícita é uma contravenção, é um tipo de apologia à contravenção. O STF não deveria ter aprovado essa medida, comentou o pastor.


Já a secretária Aparecida Ramos disse que ainda tem dúvidas sobre a descriminalização da maconha. Para ela, a marcha da maconha é uma iniciativa muito polêmica, cujos objetivos precisam ser esclarecidos à população.


Segunda Aparecida, a proposta de legalização da maconha não deve ser usada como panaceia para resolver o problema da violência que também envolve outras vertentes sociais.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A rapidez do narcotráfico e o marasmo da ciência



Crisvalter Medeiros

Os esforços envidados pelas professoras Vania Medeiros (IFPB) e Vania Gico (UFRN) para fazer avançar a formação profissional na área de drogas nos Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte demostram o nível de responsabilidade que alguns acadêmicos deste País têm com a questão social e, por outro lado, desvela a irrelevância que essa temática representa para a área cientifica, principalmente no que se refere à política nacional de pós-graduação.

As duas professoras estão engalfinhadas numa luta de Davi x Golias para superar as barreiras para aprovação de um mestrado profissional na área de atenção e reinserção social de usuários de drogas. Isto representa uma das demandas mais urgentes na nossa região que está sendo castigada pela cimitarra do narcotráfico que ceifa as vidas dos nossos jovens e adolescentes (dos dois sexos) com a venda ilícita do crack.

De acordo com o mapa da violência de 2011, divulgado, recentemente, pelo Ministério da Justiça, as taxas de violência das regiões Norte/Nordeste aumentaram significativamente no período pesquisado entre de 1998 a 2008; os homicídios dobraram praticamente. Sabe-se, por outras fontes, que a maioria desses crimes está relacionada ao trafico de drogas que, em algumas áreas, tornou-se a única opção de vida (e morte) para a juventude.

Os números são gritantes: a taxa de homicídios (por 100 mil habitantes) em 1998 em Alagoas era 21,8, pulou para 60,3 em 2011, elevando o Estado para o primeiro lugar no ranking nacional. A Paraíba passou de 13,5 para 27,3, deixando o Estado na faixa do 15º colocado, e o Rio Grande do Norte, que tinha uma taxa de 8,5, subiu para 23,2, indo para o 19º lugar. No Pernambuco a taxa caiu, mas o Estado continua no topo, em 3º lugar, com 50,7. Essa é a nossa triste realidade.

Mas o que tem a ver esse caldo de cultura condimentado pelas drogas, violência e a ciência? Não precisa ser da alta costura para fazer esse alinhavo.

Segundo informações catadas no blog do doutor Roberto Lobo, da USP-SP, as Universidades Federais apresentam a média de 54,46% de doutores no Brasil, sendo que a região Norte tem 34,99% e a Nordeste 46,38%. Se computados mestres e doutores estes percentuais se elevam para 79% no Brasil, 70% no Norte e 72% no Nordeste contra 83% no Sudeste e 84% no Sul. Conforme a ciência estatística não somos tão pobres de cientistas. Mas, aí vem a pergunta que incomoda: Por que tanta violência e tantos problemas sociais numa realidade pululante de acadêmicos tão competentes? A resposta traumática é que a ciência não deve se preocupar com intervenções sociais, mas com a produção do conhecimento, ou seja, cientistas existem para pensar. E os demais o que fazem?

Voltando lá prá cima, para o início do texto, retomo o foco da luta das professoras Vania & Vania para a implantação de um mestrado profissional no Nordeste (Paraíba ou Rio Grande do Norte), na área de atenção e reinserção social de usuários de drogas.  Segundo a CAPES, órgão responsável pela burocracia da produção científica no País, há uma grande barreira a ser superada: a falta da idolatrada produção científica para dar sustentação ao tal mestrado, já que demandas sociais, que existem de sobra na região, não são argumentos suficientes que justifiquem ações educacionais quando o nível é pós-graduação.

Bom, aqui, nos caímos num velho paradoxo: quem vem primeiro, o ovo ou a galinha? A pesquisa científica na área de drogas no Brasil é muito recente. Um dos mais conhecidos centro de excelência nessa área, o CEBRID, da Unifesp, foi implantado em 1978; a UNIAD, também da Unifesp, é de 1994. O único setor de referência acadêmica na área de drogas no Nordeste é o CETAD da UFBA, que iniciou suas atividades em 1985. Outras iniciativas que alcancei em uma rápida pesquisa, não-científica, obviamente, são bem mais recentes; donde se conclui que temos por volta de três décadas de interesses acadêmicos sobre essa área, e de forma bastante concentrada.

Portanto, a CAPES exige produção acadêmica na implantação de um novo programa, sendo que esta produção só é viável quando se tem um programa. Eis a questão: quem virá primeiro para o Nordeste, o ovo ou a galinha.

Sem querer baixar o nível, vou inserir nesse discurso uma palavra bastante incômoda, narcotráfico; pois é, esse ramo do comércio, muito embora ainda instalado na nossa economia de forma ilegal, mas com gente importante querendo legalizá-lo, coincidentemente da própria academia, tem sido rápido e eficiente nas suas formas de atuação, utilizando-se de ferramentas tecnológicas e científicas para otimização dos seus produtos.

É quase inconcebível para um simples mortal entender que a ciência não se envolva com questões de demanda social. Sem querer, fico pensando: Para que serve a Universidade que é sustentada com o dinheirinho suado do povo brasileiro? Quais são os objetivos da política de pós-graduação nacional? Ousadamente me ocorre a ideia de que é apenas para sustentar uma burocracia corporativa das mais exigentes e sofisticadas que serve apenas aos seus próprios interesses, ou seja, a auto-reprodução da própria academia. Diga-se de passagem, em detrimento do restante da população.

sábado, 4 de junho de 2011

Mestrado Profissional do CRR-IFPB ganha apoio da SENAD


Articulações em Brasília-DF para otimizar ações do CRR-IFPB


Crisvalter Medeiros

A secretária nacional de políticas sobre drogas, Drª. Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte, assumiu o compromisso de mediar uma articulação acadêmica envolvendo grupos de pesquisadores do Rio Grande do Sul e da Bahia, com o objetivo de favorecer a formatação do projeto de um Mestrado Profissional em Gestão da Atenção aos Usuários de Drogas e Reinserção Social, dentro dos critérios exigidos pela política nacional de pós-graduação. A secretária reconheceu a relevância do mestrado para a região nordeste, que seria o primeiro do País nessa área.

O Mestrado Profissional em Gestão da Atenção aos Usuários de Drogas e Reinserção Social faz parte das iniciativas para implementação das atividades formativas do Centro Regional de Referência para Formação Permanente de Profissionais da Rede de Atenção a Usuários de Crack e outras Drogas (CRR-IFPB). O CRR-IFPB é uma das políticas nacionais de enfrentamento ao crack e outras drogas, da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (SENAD), do Ministério da Justiça, implantado na Paraíba através de classificação em concorrência pública.

A coordenadora do CRR-IFPB, professora Vania Medeiros, e a professora Vânia Vasconcelos Gico, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), responsável pelo  projeto do Mestrado Profissional do CRR-IFPB, foram recebidas em audiência pela secretária da SENAD na última quinta-feira (02), pela manhã, no Ministério da Justiça, no Distrito Federal–DF.

Além de assumir o compromisso de apoiar o projeto do mestrado profissional, a secretária convidou a professora Vania Medeiros para participar de uma reunião, no próximo dia 13, onde será discutida a possibilidade de oferta de cursos técnicos na área de atenção às drogas, através dos Centros Regionais de Referência. Já a professora Vania Gico foi desafiada a elaborar uma proposta de implantação de um  CRR na UFRN para participação nas próximas chamadas públicas da SENAD.


As professoras do CRR-IFPB realizaram, ainda, outros contatos com diversas instituições públicas da esfera governamental relacionadas à ciência, educação e políticas sobre drogas, em Brasília-DF, no último final de semana (quinta e sexta-feira), com o objetivo de buscar apoio logístico e financeiro para otimização das atividades de formação desenvolvidas pelo CRR-IFPB, que foi o primeiro a entrar em funcionamento, dos 49 Centros aprovados em chamada pública.


Agenda na CAPES

Na manhã da quinta-feira (02), as professoras nordestinas foram recebidas, também, pelo diretor de avaliação de projetos da Capes, professor Lívio Amaral, para tratar dos encaminhamentos do projeto de Mestrado Profissional em Gestão da Atenção aos Usuários de Drogas e Reinserção Social através do edital que será divulgado ainda este mês.  Na conversa com o pesquisador ficou evidenciada a necessidade da articulação de novos parceiros para a viabilidade do referido mestrado, dificuldade que será superada com a articulação da SENAD.


Segundo a professora Vania Medeiros, a partir de agora, o maior desafio do CRR-IFPB, com o apoio das parcerias estabelecidas, é viabilizar iniciativas que atendam às diretrizes das Políticas Públicas Intersetoriais no tocante à formação de profissionais da Rede de Atenção aos usuários de Drogas. “Por outro lado, os coordenadores do CRR devem ser bastante criativos para que o argumento das demandas sociais emergentes sejam forte o bastante para unir forças que superem os critérios excludentes da produção acadêmica colocados pela Política Nacional de Pós-Graduação”, enfatizou.
 Contatos na SETEC

Em visita à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), na última sexta-feira (03), as Professoras apresentaram o CRR-IFPB ao secretário Eliezer Pacheco e discutiram implementações ao projeto do Centro para o biênio 2011/2012.


Cumprida a agenda de articulações nessas instâncias superiores da gestão pública, as professoras retornam ao Nordeste com a responsabilidade de sensibilizar suas instituições a assumirem mais estes desafios. O resultado de todas as iniciativas realizadas em Brasília, segundo a professora Vania Medeiros, está expresso nas palavras da secretária nacional de políticas sobre drogas, Paulina Duarte: “Não são vocês que precisam de nós, somos nós que precisamos de vocês, se não houver os atores em cada localidade as Políticas Públicas  não se efetivam".