quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PRESIDENTE DA ABEAD CONCLAMA SOCIEDADE PARAIBANA A DEFENDER A JUVENTUDE DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Mesa de Abertura do Evento

O presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD), Dr. Carlos Salgado, disse ontem, em João Pessoa, que a proteção dos jovens frente ao problema da dependência química deve ser interesse de toda a sociedade. Segundo o médico psiquiatra que tem mais de 20 anos de experiência com o tratamento de  usuários de drogas, 12% dos jovens que se iniciam no uso de substâncias psicoativas tornam-se dependentes.

O médico, que fez a palestra de abertura da I Jornada da ABEAD na Paraíba, enfocando o tema: “Ética Profissional e direitos humanos na dependência química”, ressaltou que é preciso defender o capital social que está representado na nossa juventude, principalmente quando já foi feito investimento na sua formação.

O psiquiatra disse que os profissionais da medicina enfrentam graves dilemas na sua atuação cotidiana com as questões relacionadas à ética e aos direitos do paciente. Segundo ele, a principal angústia dos profissionais está nas dificuldades com o enfrentamento das drogas lícitas, já que estão impossibilitados de dar cobertura a toda a demanda por tratamento. Há também o enfrentamento de dilemas resultantes das complicações para abordar os indivíduos que estão “na rua”; no tratamento compulsório e nos problemas relacionados às propostas de liberação de mais substâncias, bem como no uso de drogas entre os profissionais da área.

Segundo o psiquiatra, o 11º princípio do NIDA – Instituto Nacional para o Abuso de Drogas dos Estados Unidos orienta que o tratamento não precisa ser voluntário para ser efetivo. Para ele, sanções da família, empregador ou justiça podem facilitar significativamente a entrada, manutenção e sucesso do tratamento.

Carlos Salgado explicou, ainda, que se o uso de maconha for liberado no Brasil o status de benignidade dessa substância vai aumentar significativamente e, conseqüentemente, o seu uso vai se expandir rapidamente em todos os estratos sociais. Neste caso, a sociedade terá que fazer, num futuro próximo, um grande esforço para reverter o problema, como aconteceu com o tabaco.

O médio citou o grande dilema que a sociedade e os profissionais da saúde enfrentam, atualmente, para debelar o aumento do uso de álcool entre os jovens principalmente do sexo feminino. Para ilustra a preocupação, ele lembrou das festas de debutantes na qual as meninas ingerem álcool com o beneplácito das famílias.

Após a palestra, o presidente da ABEAD respondeu perguntas da platéia esclarecendo as dúvidas e atualizando informações científicas na área da dependência química.

ABERTURA

Grupo de Sax do IFPB
Participaram da mesa de abertura oficial dos trabalhos do evento da ABEAD em João Pessoa, o presidente da entidade, Dr. Carlos Salgado; o Reitor do IFPB, professor João Batista de Oliveira; a pró-reitora de extensão, professora Edelcides Gondim; o secretário adjunto da educação do município de João Pessoa, professor Rômulo Gondim e a representante do Ministério da Saúde, Ana Sudária. O evento foi animado pela apresentação cultural do grupo de sax do IFPB.

Na noite de abertura do evento, também foi lançado o livro: Drogas – Políticas e práticas, organizado pelo psicólogo Gilberto Lúcio da Silva, do Ministério Público do Estado de Pernambuco. O evento encerrar-se na próxima sexta-feira.
 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PARAÍBA AVANÇA NO CAMPO CIENTÍFICO SOBRE DROGAS


A I Jornada da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) já conta com 323 inscrições e 58 trabalhos científicos, em forma de pôsters, que serão apresentados no evento. A comissão organizadora informou que a abertura da Jornada acontecerá na próxima quarta-feira (03), às 18h30, no auditório do Hotel Caiçara, Av. Olinda, 235, na Praia de Tambaú., João Pessoa-PB.

O médico psiquiatra Dr. Carlos Salgado, presidente da ABEAD e preceptor da residência médica do Hospital Materno Infantil - Presidente Vargas de Porto Alegre-RS., vai fazer a conferência de abertura abordando o tema central do evento: Atuação do profissional no campo da drogadicção: valores éticos e direitos humanos.

O evento é o resultado de uma parceria da ABEAD com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e CEM/FAMENE.  As inscrições podem ser feitas até o dia do evento, pelo endereço: http://www.abead.com.br/eventos/paraiba/ 

Segundo a professora Vania Medeiros, da comissão organizadora do evento, a partir da próxima semana a Paraíba vai pensar as políticas públicas sobre drogas com uma visão mais científica e menos preconceituosa e estigmatizadora. “Precisamos adotar critérios científicos, principalmente na área da prevenção, suplantando os mitos que dão sustentação a muitas improvisações nessa área”.

A Jornada da ABEAD será uma oportunidade para os profissionais paraibanos se atualizar e interagir com os especialistas mais renomados do país na área de políticas públicas sobre drogas, seja na prevenção, intervenção ou tratamento.  O evento contará com a participação de pesquisadores das áreas de saúde pública, educação, assistência social, justiça e ciências sociais. Participam do grupo de palestrantes: o psiquiatra Dr. Carlos Salgado, presidente da ABEAD e preceptor da residência médica do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas de Porto Alegre; doutora Inês Gandolfo, da UnB; professora Aparecida Penso, psicodramatista e terapeuta familiar da UCB; doutora Ana Cecília Marques, Uniad/Unifesp; Marta Klumb Oliveira, coordenadora do Programa Saúde na Escola (MEC); Ana Sudária, da Secretaria de Atenção à Saúde do Adolescente, (MS); Drª Nívea Maria Polezer, da Secretaria Nacional de Assistência Social (MDS), dentre outros.

A ABEAD é uma associação que congrega profissionais e pesquisadores do campo da dependência química no Brasil, com afiliados e representações no exterior. O quadro de associados da entidade é composto por psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, advogados, líderes comunitários, consultores e professores. Atuando no campo da pesquisa científica sobre álcool, tabaco e outras drogas desde 1989, a ABEAD é uma entidade civil, sem fins lucrativos, com sua sede estável em Porto Alegre.

O avanço do uso de drogas em todos os estratos sociais, prejudicando principalmente jovens e adolescentes, justifica os esforços para inserir os profissionais paraibanos no campo dos estudos científicos sobre a drogadição. O evento estará aberto a todos os que se interessam pelo aprofundamento dos conhecimentos na referida área podendo, inclusive, aderirem ao quadro de associados da ABEAD durante a jornada.

Com o objetivo de auto-financiar parte das despesas do evento, será estipulada uma taxa para as inscrições: estudantes: R$ 30,00 (trinta reais) e profissionais: R$ 50,00 (cinqüenta reais). Os valores devem ser depositados no Bando do Brasil (Ag. 2806-1-c/c 21706-9, com envio do comprovante via fax (83) 3222-3933-FUNETEC-PB ou e-mail: jornadapb@abead.com.br

Telefone para contato 8811-0272 (profª. Vânia Medeiros)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

FOI ADIADO, PARA O PRÓXIMO DIA 25, O ENCERRAMENTO DAS INSCRIÇÕES DE TRABALHOS PARA A 1ª JORNADA DA ABEAD NA PARAÍBA



O prazo de encerramento para inscrições de trabalhos para a I Jornada da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas na Paraíba (ABEAD) foi diado até o próximo dia 25. Para participação como ouvinte, a equipe organizadora estará recebendo inscrições até o dia primeiro de novembro. O evento será realizado no período de 03 a 05 de novembro, no Hotel Caiçara, av. Olinda, 235, na Praia de Tambaú.

O tema central da jornada é a “Atuação do Profissional no Campo da Drogadição: valores éticos e direitos humanos”. O evento será realizado através de parceria entre a ABEAD, Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Instituto Federal da Paraíba (IFPB).  As inscrições deverão ser feitas no endereço eletrônico:

Com o objetivo de auto-financiar parte das despesas do evento, foi estipulada uma taxa de inscrições para estudantes no valor de R$ 30,00 (trinta reais) e profissionais R$ 50,00 (cinqüenta reais). Os valores devem ser depositados no Bando do Brasil (Ag. 2806-1-c/c 21706-9, com envio do comprovante via fax (83) 3222-3933-FUNETEC-PB ou e-mail:  jornadapb@abead.com.br

O evento reunirá profissionais e pesquisadores de renome nas áreas de saúde pública, educação, assistência social, justiça e ciências sociais, a exemplo do psiquiatra Dr. Carlos Salgado, presidente da ABEAD; doutora Inês Gandolfo, da UnB; professora Aparecida Penso, psicodramatista e terapeuta familiar da UCB; doutora Ana Cecília Marques, Uniad; Marta Klumb Oliveira, coordenadora do Programa Saúde na Escola (MEC); Ana Sudária, da Secretaria de Atenção à Saúde do Adolescente, (MS); Drª Nívea Maria Polezer, da Secretaria Nacional de Assistência Social (MDS), dentre outros.

A ABEAD é uma associação que congrega profissionais e pesquisadores do campo da dependência química no Brasil, com afiliados e representações no exterior. O quadro de associados da entidade é composto por psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, advogados, líderes comunitários, consultores e professores. Atuando no campo da pesquisa científica sobre álcool, tabaco e outras drogas desde 1989, a ABEAD é uma entidade civil, sem fins lucrativos, com sua sede estável em Porto Alegre.

O avanço do uso de drogas em todos os estratos sociais, prejudicando principalmente jovens e adolescentes, justifica os esforços para inserir os profissionais paraibanos no campo dos estudos científicos sobre a drogadição. O evento estará aberto a todos os que se interessam pelo aprofundamento dos conhecimentos na referida área. Os interessados em ter acompanhamento técnico-científico na área de drogadição poderão se associar à entidade durante o evento. Mais informações pelos telefones: (83) 3216-7312 ou 2107-4300.

VEJA PORGRAMAÇÃO DEFINITIVA (CONFIRMADA)








quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SITE DA ABEAD ENTREVISTA PROFESSORA VANIA MEDEIROS, COORDENADORA DO NETDEQ-IFPB


Professora Vania Medeiros, coordenadora do NETDEQ

Vânia Medeiros é coordenadora das atividades do Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Dependência Química – Netdeq/IFPB, membro da Abead e da comissão organizadora da Jornada Paraíbana. A convite da Abead, Vânia falou sobre o projeto que desenvolve no Nordeste. 

Jornalista Carolina Fagnani – Porto Alegre –RS

Como coordenadora do NETDEQ, órgão da Pró-Reitoria de Extensão do IFPB, como a senhora avalia o atual cenário da dependência química no país? A região Nordeste, em particular a Paraíba, possui as mesmas características dos outros estados? Se não, no que diferem?

 No segundo levantamento domiciliar de uso de drogas, a região Nordeste é a que apresenta o maior índice de dependência de álcool (16,9%). Entre os adolescentes, com idade de 13 a 17 anos, este índice é de 13,8%, também o mais alto do país. Nota-se que tem ocorrido um aumento no uso de drogas ilícitas. O problema se agrava ainda mais na Paraíba, porque as iniciativas públicas de disponibilização de leitos ou de atendimento nos centros especializados são muito menores que em outras regiões. Por outro lado, os empreendimentos particulares são ainda muito insignificantes para o atendimento da demanda. As pessoas que precisam de tratamento precisam sair para outras regiões, o que dificulta ainda mais a intervenção, tornando-a mais cara e restrita. Os grupos de mútua-ajuda, que em outras regiões se apresentam como um recurso alternativo, em nosso estado não estão consolidados. Com exceção do A.A., esses grupos locais têm se constituído em uma experiência intermitente, de difícil sustentabilidade. Na Paraíba, a formação especializada de profissionais e as ações institucionalizadas com investimentos públicos são fatos ainda recentes que não apresentaram resultados.

O núcleo que coordeno, o Netdeq-Núcleo de Estudos em Dependência Química, tem procurado construir dados acerca da realidade local das escolas. Uma pesquisa realizada em 2007, entre estudantes do ensino fundamental de uma escola pública de João Pessoa, apresentou um aumento relevante de uso na vida para as drogas ilícitas. Dados comparativos ao V levantamento entre estudantes (CEBRID, 2004), mostrou que para os inalantes o índice de uso é o dobro dos valores nacional e regional, e 1,5 mais alto que os dados municipais. Constatou-se que o uso de maconha, entre os estudantes investigados, foi o triplo de uso na vida que os dados regionais e municipais apresentam, e 2,4 vezes maior que o uso na vida, conforme os dados da pesquisa nacional. Outro aspecto importante diz respeito ao uso na vida de tabaco. Foi observado um aumento de quase o dobro em relação aos dados nacionais, regionais e municipais. Mesmo diante dessas peculiaridades, estou otimista com as ações que estão acontecendo em nosso estado. Há pouco mais de dois anos surgiu o COMAD, em João Pessoa; foi lançado recentemente o Programa Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas; e inaugurado neste mês um CAPS-Ad III para atendimento à demanda estadual. Os dados que apresentamos podem ser significativas para o planejamento de ações que sejam eficientes não só no atendimento à dependência química, mas principalmente na prevenção. O COMAD realizou neste ano a I Conferência Municipal sobre Políticas  Públicas de Drogas e as escolas estiveram presentes nesta discussão refletindo e começando a acreditar na sua capacidade de intervenção. 


Em véspera de eleições presidenciais, como a senhora encara a preocupação dada ao tema pelos candidatos e pela mídia? As propostas estão de acordo com a necessidade? A região Nordeste recebe a atenção necessária por parte do Governo Federal?

O discurso da mídia é construído de acordo com os interesses dos veículos ou de grupos que esses veículos representam. Esse discurso também pode ser prejudicado pelas especificidades dos veículos que primam pelo imediatismo e sensacionalismo. Já os políticos, candidatos ou não, apenas reproduzem o discurso apressado da mídia. A mídia e os políticos são superficiais quando dão ênfase ao problema do crack, e dão pouco destaque aos problemas correlatos ao álcool. Para se construir uma intervenção eficaz no uso de drogas ilícitas deve-se considerar a epidemiologia das drogas lícitas. Sendo um tema complexo, creio que os candidatos às eleições presidenciais estão se protegendo de polêmicas. Gostaria de vê-los discutindo nos debates as propostas para a Política de Controle do Álcool e para a Rede de Atendimento à Dependência Química (que modelos de intervenção eles defendem e como vão fortalecer os recursos comunitários).

Com relação ao que foi feito no Nordeste, acho que os impactos na rede de atendimento são muito insignificantes, mas quero refletir nas Políticas Intersetorializadas que possibilitem ações integradas. As Políticas de Inclusão Social associadas às Políticas de Educação e de Saúde poderão nos levar a um quadro epidemiológico diferente. O Netdeq, por exemplo, é fruto da Política de Inclusão Social, que se pauta na expansão da rede de ensino profissional no país, com atenção à implementação das Políticas de Extensão associadas às Políticas sobre Drogas. O Caps III também é resultado de uma Política de Saúde Mental.

 Aqui na Paraíba estamos começando a entrar no cenário nacional de discussões e deixando de ser apenas números estatísticos que compõem a epidemiologia nacional. Agora, é um problema para se resolver a várias mãos, não adianta ter políticas nesta área sem pessoas interessadas em se envolver na execução delas. Necessitamos de mais atores e o desafio que estamos assumindo no nosso estado é sensibilizar profissionais, instituições e pessoas que tenham disponibilidade para se envolver com a causa da prevenção.

O seu projeto tem como objetivo promover estudos, pesquisas e desenvolver atividades de extensão na área de prevenção ao uso de drogas, principalmente nas escolas públicas e privadas. Em sua opinião, como a formação escolar se relaciona ao assunto? Como você avalia a importância da conscientização e especialização dos profissionais de educação?

 Sou educadora há mais de vinte anos e assisti a evolução dos problemas de uso de drogas entre estudantes no ensino médio e superior. Dou aulas no curso de Licenciatura em Química e estou muito próxima do sentimento de baixa auto-eficácia que está presente nos formandos, especialmente no que diz respeito ao atendimento a esta demanda. Vejo a importância de trabalhar com os professores, em processo de formação, um currículo que desenvolva habilidades e competências para que eles se transformem em atores de uma rede de apoio à saúde dos estudantes. Só conseguiremos ser eficazes na prevenção quando efetivarmos a associação das Políticas Públicas sobre Drogas às Políticas de Educação, já orientadas em 2006 pela Lei 11.343. No Netdeq, estamos desenvolvendo e avaliando práticas pedagógicas fundamentadas na teoria de rede social e nos pilares da transdisciplinaridade, indo para fora dos muros institucionais e rompendo as barreiras disciplinares para a integração de saberes. Além de termos inserido no currículo uma disciplina que trabalha os modelos de prevenção, construímos projetos de pesquisas que integram estudantes de diferentes níveis de ensino e áreas. Nos projetos de iniciação científica conseguimos integrar estudantes do ensino médio com graduandos das áreas de saúde, serviço social, comunicação, justiça, educação e tecnologia.

A metodologia do NETDEQ é a formação de técnicos e multiplicadores na área de políticas públicas sobre drogas. A senhora acredita que essa é a melhor maneira de combater o problema da drogadição, investir na capacitação dos profissionais? O que mais influencia no processo? Qual seria a receita ideal para enfrentar a questão?

 Na Paraíba, as iniciativas de formação de profissionais para atuar na implantação das Políticas Públicas sobre Drogas ainda são incipientes. Reconhecendo esta realidade assumimos a responsabilidade de articular iniciativas que possibilitem a capacitação continuada de profissionais das diversas áreas do conhecimento. Para um problema complexo são necessários diferentes olhares e saberes, nossos cursos, além de formar, também tem representado espaços de construção de ideias e projetos técnicos envolvendo atores sociais.

Como é a relação e a colaboração do projeto com as crianças e adolescentes da Paraíba? O projeto desenvolve atividades em outros Estados?

 O Netdeq propõe a formação de educadores e profissionais para a Rede de Atenção às Crianças e Adolescentes. Recentemente, articulamos uma parceria com a Unifesp que resultou no I Curso de Pós-Graduação do Nordeste em promoção da saúde e prevenção ao uso de substâncias psicoativas. Participaram do curso 54 profissionais da rede que atuam na Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará. Outra parceria estabelecida com a UFPB e o Sistema de Atendimento Sócioeducativo possibilitou a formação de cerca de 400 profissionais do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), envolvendo onze municípios do estado. A participação do Netdeq nesta iniciativa foi trabalhar a questão do uso de drogas por adolescentes e a importância da mobilização social para a construção de políticas públicas.

Quais são os planos para o futuro? Quais as metas que o NETDEQ pretende alcançar nos próximos anos?

 A principal meta do Netdeq é incluir o profissional da educação nas discussões e nas ações de intervenção desta realidade. Estamos planejando a IV versão na Paraíba do Seminário Nacional de Prevenção ao Uso de Drogas nas Escolas para o próximo ano. Pretendemos também desenvolver, avaliar e registrar experiências de caráter comunitário, que avancem para além dos muros da escola, integrando aos modelos educacionais de prevenção a metodologia de advocacy, com o objetivo de promover a mobilização social para a implantação das Políticas Públicas sobre Drogas. Estamos pautados na idéia de Paulo Freire que diz: o educador deve reconhecer e apreender a realidade dos educandos, assumir suas limitações, e buscar meios de superá-las; a prática educativa não deve ser ingênua e fundamentada apenas em intuição, mas em uma curiosidade epistemológica que impulsiona para a compreensão dos fatos.

Portanto, a nossa meta é articular os espaços de formação para o educador para que ele, a partir da compreensão dos fatos relacionados ao uso de drogas, possa ser um agente de transformação da sua realidade local integrando-se à comunidade e às diversas instituições envolvidas na intersetorialidade necessária à garantia dos direitos dos jovens em seus projetos de vida.

FONTE: BOLETIM DA ABEAD - Jornalista Carolina Fagnani – Porto Alegre –RS
(15/10/2010)

VEJA  A MATÉRIA NO SITE ORIGINAL

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

NETDEQ INICIA CURSO DE FORMAÇÃO DE EDUCADOR SOCIAL PARA A PREVENÇÃO ÀS DROGAS PARA EDUCADORES DO MUNICÍPIO DE CONDE-PB


Educadores em formação


A Pró-Reitora de Extensão do IFPB, professora Edelcides Gondim, recepcionou hoje (13), às 09 horas, na sala 13, da Pró-Reitoria, a equipe técnica da Secretaria de Educação do Município de Conde, no litoral paraibano, que iniciou o Curso de Formação de Educador Social para a Prevenção às Drogas. O curso de extensão com duração de 16 horas é ministrado pela equipe do NETDEQ – Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Dependência Química, sob a coordenação da professora Vânia Medeiros, para um grupo de 20 alunos constituído de psicólogos, pedagogos, educadores e técnicos educacionais da Secretaria de Educação do referido município.

Na abertura do curso, a Pró-reitora Edelcides Gondim enfatizou a importância da iniciativa para a consolidação do processo de extensão na instituição. Segundo ela, a iniciativa é uma demonstração da responsabilidade social do IFPB para com a comunidade. A professora Vânia Medeiros esclareceu que o curso foi uma demanda dos educadores de Conde e que não há benefícios financeiros envolvidos para a equipe ministrante. “Somos movidos pelo interesse com a extensão acadêmica na área da prevenção”, assinalou a educadora.

O curso de Formação de Educador Social para a Prevenção às Drogas é uma preparação para um projeto amplo de prevenção que será deflagrado na comunidade de Conde pelo IFPB, através do NETDEQ, em parceria com a Secretaria de Educação daquele Município. A iniciativa viabilizará a realização de dois projetos acadêmicos: “Promover a mobilização da comunidade de Conde-PB para implantação do COMAD-Conselho Municipal sobre Drogas, aprovado no PROBEXT/2010; e “A expansão para o âmbito intermunicipal da ação educativa envolvendo a interdisciplinaridade entre geoprocessamento e a prevenção ao uso de drogas”.

Segundo a coordenadora do NETDEQ, professora Vânia Medeiros, no próximo ano a parceria com a Secretaria de Educação de Conde deverá resultar num projeto de extensão acadêmico a ser enviado ao PROEXT/MEC, além de outras iniciativas visando buscar parcerias para promover as ações educativas do NETDEQ.

sábado, 9 de outubro de 2010

INICIATIVA ANTI-DROGAS DE FHC SE TRANSFORMA EM AÇÃO MUNDIAL


Entre as propostas está a discussão sobre a descriminalização da maconha para uso pessoal

GENEBRA - A iniciativa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de reformular as políticas de combate às drogas se transformará em uma ação mundial. Fernando Henrique liderou nos últimos dois anos a Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia que preparou uma série de sugestões sobre como lidar com o fenômeno. Entre as medidas propostas está a avaliação sobre a possibilidade de descriminalização da posse de maconha para o consumo pessoal. Agora, a Comissão Latino-Americana se transformará em uma iniciativa internacional.

"Em janeiro vamos lançar essa nova iniciativa, com base no trabalho já feito na América Latina", afirmou ao Estado o ex-presidente da Colômbia, Cesar Gavíria. O colombiano também assessorou Fernando Henrique em sua iniciativa regional e revelou que, além da comissão internacional, o tema será alvo de uma atenção especial por parte da Fórum Econômico Mundial de Davos. Gavíria indicou que líderes políticos americanos, europeus e asiáticos também farão parte da nova iniciativa. "Não posso ainda revelar os nomes dos membros da comissão, mas serão algumas das pessoas mais influentes do mundo", disse o ex-presidente colombiano.

Outro membro do grupo, o escritor mexicano Carlos Fuentes, também confirmou ao Estado que a iniciativa ganhará proporções internacionais. "As políticas de combate às drogas não deram resultados e precisamos mudar de forma profunda o enfoque", disse. "A iniciativa na América Latina foi o primeiro passo. Mas precisamos agora um envolvimento global, já que a questão é também ver como lidar com os países importadores da droga", disse o escritor.

A conclusão por enquanto da Comissão Latino-americana é de que as políticas repressivas de combate às drogas na região fracassaram e alerta que a solução está em enfocar o consumo de drogas como um tema de saúde pública. Outra diretriz proposta é a de reduzir o consumo de drogas com o uso de campanhas de prevenção. Já a repressão não poderia estar nos consumidores, mas no crime organizado. De acordo com o estudo, isso ajudaria a diminuir a produção e a desmantelar redes de traficantes.
Para chegar a esse ponto, Fernando Henrique e seu grupo sugerem transformar os compradores de drogas em pacientes do sistema de saúde, e não em delinquentes.

Um dos temas mais delicados que será tratado pela nova comissão será o da conveniência ou não de descriminalizar a posse da maconha para consumo pessoal. Para isso, estudos médicos seriam usados e a situação de cada país também deveria ser considerada.

A constatação preliminar do grupo é de que a criminalização por si não diminuiu a demanda por drogas e ainda contribui para a superlotação de prisões. Além disso, apenas a repressão de consumidores não dá resultados e ainda abre brechas para a corrupção da polícia.

Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo

USUÁRIOS DE MACONHA TÊM DUAS VEZES MAIS PROBLEMAS MENTAIS

Fumantes da droga se queixam de ansiedade, tristeza, melancolia e impaciência
20% dos usuários de maconha do sexo masculino se queixaram de problemas mentais, comparados a 10% entre os não-usuários
Um estudo realizado na Holanda, onde o uso da maconha é descriminalizado, aponta que usuários da droga têm o dobro do potencial de adquirir problemas mentais do que pessoas que não fumam o entorpecente.

O estudo, que foi realizado entre 2007 a 2009, com 18,5 mil pessoas, constatou que 20% dos usuários de maconha do sexo masculino se queixaram de problemas mentais, comparados a 10% entre os não usuários. Os fumantes da maconha se queixaram de problemas como ansiedade, tristeza, melancolia e impaciência.

A proporção foi a mesma para as mulheres – 28% das usuárias se queixaram de problemas mentais, comparados a 14% entre as não usuárias. O estudo constatou que 4% das pessoas com idades entre 15 e 65 anos haviam fumado maconha pelo menos uma vez nos últimos 30 dias. A Holanda descriminalizou o consumo e posse de menos de cinco gramas de maconha em 1976 com uma política de "tolerância" oficial.

Do R7


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

INSCRIÇÕES DE TRABALHOS PARA ABEAD ATÉ DIA 21


As inscrições de trabalhos para a I Jornada da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas na Paraíba (ABEAD) podem ser feitas até o próximo dia 21. O evento será realizada no período de 03 a 05 de novembro, no Hotel Caiçara, av. Olinda, 235, na Praia de Tambaú.

O tema central da jornada é a “Atuação do Profissional no Campo da Drogadição: valores éticos e direitos humanos”. O evento é o resultado de uma parceria da associação científica com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Instituto Federal da Paraíba (IFPB), através da Pró-Reitoria de Extensão.  As inscrições deverão ser feitas no endereço eletrônico:http://www.abead.com.br/eventos/paraiba/ 

Com o objetivo de auto-financiar parte das despesas do evento, será estipulada uma taxa irrisória para as inscrições: estudantes: R$ 30,00 (trinta reais) e profissionais: R$ 50,00 (cinqüenta reais). Os valores devem ser depositados no Bando do Brasil (Ag. 2806-1-c/c 21706-9, com envio do comprovante via fax (83) 3222-3933-FUNETEC-PB ou e-mail:

O evento reunirá profissionais e pesquisadores de renome nas áreas de saúde pública, educação, assistência social, justiça e ciências sociais, a exemplo do psiquiatra Dr. Carlos Salgado, presidente da ABEAD; doutora Inês Gandolfo, da UnB; professora Aparecida Penso, psicodramatista e terapeuta familiar da UCB; doutora Ana Cecília Marques, Uniad; Marta Klumb Oliveira, coordenadora do Programa Saúde na Escola (MEC); Ana Sudária, da Secretaria de Atenção à Saúde do Adolescente, (MS); Drª Nívea Maria Polezer, da Secretaria Nacional de Assistência Social (MDS), dentre outros.

A ABEAD é uma associação que congrega profissionais e pesquisadores do campo da dependência química no Brasil, com afiliados e representações no exterior. O quadro de associados da entidade é composto por psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, advogados, líderes comunitários, consultores e professores. Atuando no campo da pesquisa científica sobre álcool, tabaco e outras drogas desde 1989, a ABEAD é uma entidade civil, sem fins lucrativos, com sua sede estável em Porto Alegre.

O avanço do uso de drogas em todos os estratos sociais, prejudicando principalmente jovens e adolescentes, justifica os esforços para inserir os profissionais paraibanos no campo dos estudos científicos sobre a drogadição. O evento estará aberto a todos os que se interessam pelo aprofundamento dos conhecimentos na referida área podendo, inclusive, aderirem ao quadro de associados da ABEAD durante a jornada. Mais informações pelos telefones: (83) 3216-7312 ou 2107-4300.

VEJA PORGRAMAÇÃO DEFINITIVA (CONFIRMADA)

domingo, 26 de setembro de 2010

NÃO TER TRATAMENTO ADEQUADO PARA O ADOLESCENTE USUÁRIO DE DROGA É MAIS UMA FORMA DE VIOLÊNCIA CONTRA OS SEUS DIREITOS

Maria Aparecida Penso participa da I Jornada abead na Paraíba, de 03 a 05 de novembro. A pesquisadora dará um  mini-curso sobre grupo psicossocial para adolescentes – oficina de idéias; e participa da mesa redonda sobre o tema: As Universidades e a responsabilidade social nas políticas públicas sobre drogas.


Como funciona a clínica para adolescentes e usuários de drogas em conflito com a lei e quando surgiu?
Eu e duas colegas, também psicólogas, Maria Eveline Cascardo Ramos e Maristela Muniz Gusmão, temos realizado este trabalho com adolescentes usuários de drogas e em conflito com a lei desde 2002. Ele acontece no espaço do Centro de Formação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília e também em casas de semi-liberdade, onde estes adolescentes estão cumprindo a medida socioeducativa. importante ressaltar que cada encontro é programado a partir da reflexão sobre o encontro anterior. Neste sentido, temos utilizado a seguinte metodologia de planejamento dos encontros: reflexão sobre o que aconteceu no encontro anterior, eleição de um tema a ser trabalhado, definição de um objetivo a ser alcançado, planejamento de uma atividade que possibilite alcançar o objetivo proposto. Obviamente, este planejamento não pode ser rígido, pois em função das dificuldades vividas pelos adolescentes no seu cotidiano, muitas vezes é preciso trabalhar conteúdos imediatos trazidos por eles. O trabalho feito em grupo está relacionado com a nossa experiência de atendimento a adolescentes, onde o contato grupal sempre desempenha um papel fundamental no treino de novos papéis sociais e pessoais. Isto significa que o grupo possibilita aos adolescentes a oportunidade de experimentar relacionamentos amparados no respeito e confiança mútuos, bem como a troca de experiências e expectativas de vida, e o ensaio de alguns arranjos de enfrentamento de dificuldades e de busca de suportes identitários. O grupo, ao proporcionar espaço de confiança e escuta em um campo relaxado, oportuniza o afloramento da demanda funcionando, portanto, como co-participante da construção da identidade individual e social destes adolescentes.

Qual é a situação dos usuários no Centro-Oeste e Brasília? E a relação que eles têm com a lei.
 A situação desses adolescentes não difere muito do restante do país. Boa parte deles envolvem-se com atos infracionais para sustentar o vício. Em Brasília temos enfrentado a “Merla”. Essa droga é derivada da cocaína e semelhantemente ao crack. Ela desenvolve um quadro rápido de dependência, sendo de difícil tratamento.

Qual é a sua experiência com adolescentes usuários?
 Trabalho com adolescentes em conflito com a lei e que fazem uso de drogas há alguns anos. Busco desenvolver métodos de trabalho que os ajudem a lidar com estas duas situações extremamente prejudiciais ao seu desenvolvimento. De modo geral, os temas levantados por eles para serem discutidos são: consciência de si e do outro; papéis sociais, o uso de drogas como possibilidade de ser adolescente, relacionamento interpessoal; trabalho e geração de renda como possibilidade de resgate de cidadania; auto-estima; suportes identitários; preconceitos,  lações de confiança; perspectiva de futuro e projeto de vida; as ificuldades e alegrias vividas na relação com a família, a violência que eles e suas famílias vivenciam no dia a dia; e a relação com a escola, que os exclui; as dificuldades enfrentadas na atribuição de sentido e no cumprimento da medida sócio-educativa; as dificuldades com relação ao preconceito que enfrentam no cotidiano. Enfim, são adolescentes que tiveram os seus direitos violados e que não for oferecido tratamento adequado pode ser mais uma forma violação de direitos.

Já participou ou vai participar de algum evento da Abead? Qual?
 Participei do encontro Regional da Abead em Recife nos dias 09 e 10 de setembro, em parceria com o Ministério Público do Pernambuco, organizado pelo colega Gilberto Lúcio da Silva. Foi um evento muito rico, com debates sérios sobre a temática do uso de drogas no Brasil e contou com a presença de aproximadamente 200 pessoas. Participarei nos dias 03 a 05 de novembro em outro evento regional da Abead em João Pessoa. 

Fonte: Boletim Abead

Alcoorexia: Distúrbio alimentar causado pela substituição de alimentos por bebida alcoólica


O presidente da ABEAD Carlos Salgado concedeu uma entrevista para a rádio do Ministério da saúde sobre alcoorexia. . O pisiquiatra estará no evento da ABEAD, em João Pessoa, de 03 a 05 de novembro, na mesa redonda: A complexidade e os dilema emergentes do profissional no campo da drogadicção. Abaixo a transcrição da entrevista

Loc/Repórter: Uma mistura de comportamentos envolvendo a restrição alimentar, compulsão pelo álcool, associada ainda a distúrbios emocionais, compõe um quadro clínico conhecido como anorexia alcoólica, ou alcoorexia. Mas os especialistas advertem: a ingestão contínua de bebidas alcoólicas traz riscos incontáveis à saúde. O psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, Carlos Salgado, explica que as pessoas com anorexia já têm o costume de ingerir pouca comida e, com a troca da alimentação pela bebida, o organismo perde nutrientes importantes.

Tec/Sonora: Psiquiatra, presidente da Abead – Carlos Salgado

"A ingestão alcoólica sistemática ela traz riscos; tipicamente riscos nutricionais, porque a troca da pequena ingestão alimentar, que já é característica do anorético, por uma pequena, ainda que seja, utilização de álcool, traz uma brutal restrição de nutrientes, especialmente vitaminas que protegem o sistema nervoso central, que protegem o corpo como um todo, que fazem parte de um equilíbrio natural de uma ingestão alimentar, quando focalizada no álcool, então nós vamos ter um corpo emagrecido, claramente desnutrido e exposto à ingestão alcoólica, ou seja, o dano de memória, o dano hepático, o dano pro fígado, o dano pro tráfego digestivo, o dano mais amplamente pra absorção de sais importantes, absorção de cálcio, por exemplo, é brutal."

Loc/Repórter: O psiquiatra Carlos Salgado ressalta que a maior parte dos distúrbios alimentares é encontrada nas mulheres. E um estudo divulgado pelo IBGE comprova que as brasileiras, desde a adolescência, já possuem uma preocupação excessiva com a questão do peso: trinta e seis por cento delas se consideram gordas, mesmo estando com peso saudável e normal para a medicina. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, isso é fruto do padrão estético absurdo imposto pela sociedade moderna.

Tec/Sonora: ministro da Saúde - José Gomes Temporão

"É um percentual importante de meninas se auto-referindo como acima do peso e quando você avalia do ponto de vista técnico elas estão no peso. Eu acho que isso é um fenômeno mais amplo do estabelecimento de um certo padrão estético feminino na sociedade que privilegiaria uma magreza extrema, uma preocupação excessiva com a beleza o que pode explicar de uma certa forma esse fenômeno."

Loc/Repórter: Sobre esse ponto de vista do ministro da Saúde, o psiquiatra Carlos Salgado acrescenta que as mulheres, hoje, estão pagando um preço alto pelas mudanças culturais ocorridas nas últimas décadas.

Tec/Sonora: Psiquiatra, presidente da Abead – Carlos Salgado

"Estamos falando de um transtorno tipicamente feminino, que é, entre outras variáveis envolvidas aí, produto de uma mudança cultural dos trinta, vinte últimos anos, em que as mulheres passaram a beber de um jeito muito parecido com os homens e estão pagando um preço peculiar. Nesse item específico, que é o transtorno alimentar, a mistura dessa contingência, esse adoecimento na relação com os alimentos com a presença do álcool, na mulher, traz um potencial de dano brutal, até porque mulheres, além de estarem bebendo de um jeito parecido com os homens, são extremamente mais vulneráveis ao uso do álcool por contingência fisiológica, porque o corpo é diferente e mais sensível."

Loc/Repórter: O psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, Carlos Salgado, lembra, ainda, que as vítimas da alcoorexia devem ter suporte e apoio familiar. Elas devem receber os cuidados necessários, e, conforme cada caso, é possível a internação em instituições apropriadas, para garantir a integridade física e segurança delas.

Para acessar o áudio da entrevista, clique aqui

Mulheres provam que é possível sobreviver ao alcoolismo. E contam como conseguiram parar, depois de terem a vida praticamente destruída pela bebida

Um copo sem fundo?

Vagabunda. Entre todas as ofensas que Graça* ouviu durante os 26 anos em que bebeu, este é, provavelmente, o único publicável. De outros tantos a chamaram, mas eles são até leves diante das consequências que o alcoolismo trouxe para sua vida. "Eu pedia a Deus para morrer. Bebia na esperança de não acordar mais e minha vida era feita de desculpas." A bebida destruiu sua rotina: afastou a família, tirou o emprego e a fez não se reconhecer mais - uma derrocada assustadora, sobretudo quando levamos em consideração outra realidade: Graça não é a única.

Apesar de o Ministério da Saúde não ter dados sobre o número de mulheres alcoolatras, a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que entrevistou 54 mil adultos e foi divulgada em julho, constatou que 10,4% das mulheres bebiam demais. É considerado excesso o consumo de quatro ou mais doses na mesma ocasião em um mês, no caso das mulheres. No Distrito Federal, elas ficaram na segunda colocação no ranking nacional das que mais bebem. Entre as brasilienses que responderam a pesquisa, 16,5% afirmaram ter ingerido, nos últimos 30 dias, uma quantidade superior àquela considerada excessiva.

Mesmo que o consumo exagerado de bebida não caracterize o alcoolismo, o número de mulheres com a doença se aproxima, cada vez mais, do de homens alcoolistas. Presidente da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (Abead), o psiquiatra Carlos Salgado garante que, quando começou seus estudos na área, há 25 anos, a proporção era sete homens alcoolistas para cada mulher.

"Atualmente, essa proporção é de três homens para uma mulher. E não tenho dúvidas que, em 20 anos, ela será de um para um. Esse aumento é assustador", alerta o psiquiatra. A Revista conversou com cinco mulheres que tiveram suas vidas transformadas pelo vício. Mulheres comuns, de várias idades e classes sociais, que, até reconhecerem a doença, passaram por uma série de dores que só o álcool parecia apaziguar. Contudo, após tratadas, elas mostram que vencer é possível. Mas só quando o copo fica vazio.

Com elas, o álcool é mais cruel.
Em seus aspectos patológicos, o alcoolismo é uma doença que acomete homens e mulheres sem distinção. Porém, apesar dos efeitos iguais, nelas os danos são maiores. Syllene Nunes, consultora Médica de Medicina Preventiva da Central Nacional Unimed, afirma que as mulheres são mais suscetíveis aos danos causados pela ingestão do álcool em comparação aos homens, desde o comprometimento de órgãos por cirrose, câncer ou correlatos como também aos danos resultantes da violência interpessoal e acidentes automobilísticos. "De acordo com o National Institutes of Health, para uma mesma quantidade de álcool ingerida, as mulheres apresentam efeitos maiores que os homens", cita Syllene. Segundo ela, as mulheres que têm problemas com excesso de álcool também podem desenvolver câncer de mama e danos neurológicos.

Os dramas psicológicos decorrentes do vício também afetam muito mais as mulheres. De acordo com Sônia Mochiutti, gerente do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do Guará, unidade de saúde que atende aqueles com transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas, a aceitação do alcoolismo por elas é bem mais difícil, justamente pelo preconceito. "Porque ela é a mãe, é quem orienta, dá o exemplo e não pode errar. Por isso, muitas vezes, a bebida chega de forma silenciosa, como uma válvula de escape à repressão em que elas vivem."

Essa repressão pode vir de várias formas. A que quase levou Vitória* ao fundo do poço foi um marido que a agredia psicologicamente. Hoje, aos 59 anos, ela entende que o despreparo emocional a fez não se separar do marido e a beber todos os dias durante um ano e meio. "Não sabia mais como resolver minha vida."
Fonte:  Boletim eletrõnico ABEAD

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

EQUIPE DO NETDEQ DO IFPB SENSIBILIZA EDUCADORES DE CONDE PARA A PREVENÇÃO NA ESCOLA


Sensibilização dos educadores e gestores

A equipe do NETDEQ - Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Dependência Química, da Pró-Reitoria do IFPB realizou, ontem (22), a primeira reunião de trabalho com educadores e gestores do município de Conde, no litoral Sul da Paraíba. A reunião teve o objetivo de sensibilizar gestores, técnicos e coordenadores pedagógicos das 22 escolas do município para a importância das ações preventivas que serão deflagradas na comunidade.

A Secretária de Educação do município, professora Maria Elizete de Melo, enalteceu a parceria realizada com o IFPB, lembrando que já existem outras iniciativas na área educacional com o instituto. "Com essa continuidade esperamos melhorar ainda mais os nossos processos educacionais na comunidade, contribuindo para ascender ainda mais aos índices qualitativos de desenvolvimento humana na região', enfatizou.

Participaram da reunião os técnicos da Secretaria de Educação do Município, a coordenadora pedagógica Cleide Soares; a diretora da Escola Dep. José Mariz, Ana Amélia; as pedagogas Maria de Fátima Barbosa e Betânia Vieira Franco; a coordenadora do CREAS-Centro de Referência Especializado em Assistência Social, psicóloga Alexsandra Ribeiro Monteiro,  além dos gestores e coordenadores pedagógicas das 22 escola do município.

A professora Vânia Medeiros, coordenadora do NETDEQ, disse aos educadores que o projeto que será desenvolvido na área da extensão também repercutirá positivamente na melhoria da formação dos alunos do IFPB através da extensão acadêmica. “Vamos discutir com as escolas o melhor caminho para melhorar a educação dos jovens da comunidade através da prevenção ao uso de drogas”.


A coordenadora pedagógica do CEPES-JP-4 - Centro Paraibano de Educação Solidária, no Valentina de Figueiredo, Maria Betânia Soares Vieira Franco, colaboradora do NETDEQ, apresentou uma experiência preventiva que vem sendo realizada em parceria com o NETDEQ no Centro Profissionalizante Dep. Antônio Cabral. A pedagoga sorteou vários exemplares do livro “Vivendo e Aprendendo – a história de uma adolescente e seus namorados usuários de drogas, escrito pela aluna do ensino médio, com 15 anos, à época (2007), e a Cartilha Rede Viva; os dois editados pelo jornalista Crisvalter Medeiros.

A equipe do NETEQ vai desenvolver dois projetos nas escolas municipais de Conde: um na área de iniciação cientifica visando realizar o levantamento georeferenciado dos pontos de venda de bebidas alcoólicas próximos à Escola Muncipais de Ensino Fundamental e Eja - Dep. José Mariz; o outro projeto utiliza as novas tecnologia da informação na comunicação com objetivos preventivos.

A equipe do NETDEQ conheceu as instalações do Creas do município de Conde. Na oportunidade, a psicóloga Alexsandra Ribeiro, coordenadora do órgão, revelou que o problema do uso de drogas entre crianças e adolescentes na comunidade é angustiante. “Esperamos com essa parceria sensibilizar  as pessoas para juntos buscarmos encaminhamentos adequados para o problema”, assinalou.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA A I JORNADA DA ABEAD NA PARAÍBA

Encontram-se abertas as inscrições para a I Jornada da ABEAD - Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas na Paraíba. O evento, que será realizada no período de 03 a 05 de novembro, no Hotel Caiçara, av. Olinda, 235, na Praia de Tambaú, tem com tema: a Atuação do Profissional no Campo da Drogadição: valores éticos e direitos humanos.

A I Jornada da ABEAD na Paraíba é o resultado de uma parceria da associação científica com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Instituto Federal da Paraíba(IFPB). As inscrições para participação e apresentação de trabalhos podem ser realizadas até o dia 21 do próximo mês (10), no endereço eletrônico:

Com o objetivo de auto-financiar parte das despesas do evento, será estipulada uma taxa irrisória para as inscrições: estudantes: R$ 30,00 (trinta reais) e profissionais: R$ 50,00 (cinqüenta reais). Os valores devem ser depositados no Bando do Brasil (Ag. 2806-1-c/c 21706-9,com envio do comprovante via fax (83) 3222-3933-FUNETEC-PB ou e-mail:

O evento reunirá profissionais e pesquisadores de renome nas áreas de saúde pública, educação, assistência social, justiça e ciências sociais, a exemplo do psiquiatra Dr. Carlos Salgado, presidente da ABEAD; doutora Inês Gandolfo, da UNB; professora Aparecida Penso, psicodramatista e terapeuta familiar da UCB; doutora Ana Cecília Marques, Uniad; Marta Klumb Oliveira, coordenadora do Programa Saúde na Escola (MEC); Ana Sudária, da Secretaria de Atenção à Saúde do Adolescente, (MS); Drª Nívea Maria Polezer, da Secretaria Nacional de Assistência Social (MDS), dentre outros.

A ABEAD é uma associação que congrega profissionais e pesquisadores do campo da dependência química no Brasil, com afiliados e representações no exterior. O quadro de associados da entidade é composto por psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, advogados, líderes comunitários, consultores e professores. Atuando no campo da pesquisa científica sobre álcool, tabaco e outras drogas desde 1989, a ABEAD é uma entidade civil, sem fins lucrativos, com sua sede estável em Porto Alegre.

O avanço do uso de drogas em todos os estratos sociais, prejudicando principalmente jovens e adolescentes, justifica os esforços para inserir os profissionais paraibanos no campo dos estudos científicos sobre a drogadição. O evento estará aberto a todos os que se interessam pelo aprofundamento dos conhecimentos na referida área podendo, inclusive, aderirem ao quadro de associados da ABEAD durante a jornada. Mais informações pelos telefones: (83) 3216-7312 ou 2107-4300.
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sábado, 18 de setembro de 2010

DEFENDER O DIREITO HUMANO É PRIORIZAR A MELHOR SAÚDE POSSÍVEL: INTEGRAÇÃO E ÉTICA


Gilberto Lúcio*

Esta semana recebemos a notícia de que o Brasil foi excluído de uma lista de países considerados grandes produtores ou plataformas de tráfico de drogas, embora ainda tenha recebido a recomendação de priorizar a luta contra o narcotráfico. Vizinhos muito próximos, como a Bolívia e a Venezuela permanecem descumprindo de maneira demonstrável os compromissos internacionais de controlar a produção e a oferta de drogas ilícitas. No último dia 14, por exemplo, uma tonelada de cocaína produzida na Bolívia foi apreendida no Rio Grande do Sul.

O que isto tem a ver com prevenção? Tudo. Sem o necessário controle, a população brasileira continua exposta ao avesso do paradoxo preventivo, onde a maior exposição social ao contato com qualquer substância entorpecente possibilita o risco da experimentação por crianças e adolescentes, acarrentando o aumento dos casos de uso abusivo ou dependente.

É facilmente constatável, que o uso indevido de substâncias psicoativas tomou proporção de grave problema de saúde pública no país. Estimativas que passam longe das reais estatísticas que compõem a epidemia de crack no Brasil apontam para a existência de mais de 1,2 milhão de dependentes no País. Esta constatação impacta não apenas na saúde, mas reflete em outros setores da sociedade pela relação comprovada de tal uso com os agravos sociais dele decorrentes.

A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas – ABEAD tem procurado ampliar o debate regional sobre políticas de prevenção e tratamento do uso, abuso e dependência de drogas. Em Recife, nos dias 09 e 10 de setembro, tratamos das bases científicas para a adoção de políticas públicas, dos modelos de atenção que revelam efetividade, da estruturação da rede de atenção municipal. Em João Pessoa, nos dia 03 a 05 de novembro, o tema central escolhido para a I Jornada da ABEAD na Paraíba, "A Atuação do Profissional no Campo da Drogadição: Valores Éticos e Direitos Humanos" acrescenta um importante elemento ao colocar o foco na integração e na intersetorialidade, que pode em muito contribuir para a adoção de políticas públicas que adotem um modelo de efetividade PRECONIZADO, inclusive, pela Organização Mundial de Saúde. Substituindo discursos aparentemente bem intencionados, mas que podem encobrir despreparo ou indiferença quanto aos resultados de certos procedimentos, esta contribuição pode reforçar o princípio de que todo paciente tem direito ao melhor tratamento condizente com suas necessidades, afirmando que valores éticos e humanizadores são aqueles que têm por objetivo o alcance do mais alto grau de saúde para a população, e não apenas o nivelamento por baixo dos discursos e das práticas. Ainda mais que, se mal utilizadas, as já precárias verbas públicas podem acarretar maior prejuízo para a população ao invés de apresentar soluções.

A Jornada paraibana tem a característica de contemplar desde o aporte cada vez mais consolidado das intervenções preventivas e terapêuticas comunitárias, das universidades e da pesquisa científica, até a indispensável interlocução entre diferentes atores e setores da sociedade. E é esta idéia de integração que marca os primeiros passos para o grande evento da ABEAD em nossa região no próximo ano, o XXI Congresso Brasileiro, marcado para o período de 08 a 11 de setembro de 2010, em Recife, Pernambuco.

*Psicólogo do Ministério Público do Estado do Pernambuco
2º Vice Presidente da ABEAD - Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e Drogas

terça-feira, 14 de setembro de 2010

NETDEQ PARTICIPA DE SEMANA EDUCACIONAL DO INSTITUTO DOM ADAUTO

Educadores do NETDEQ em ação

A equipe do NETDEQ – Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Dependência Química, da Pró-Reitoria de Extensão, do IFPB, participou, nesta terça-feira (14), da Semana Educacional do Instituto Dom Adauto de Ensino Fundamental, localizado no Bairro de Jaguaribe, em João Pessoa.

A professora Vânia Medeiros e o jornalista Crisvalter Medeiros fizeram uma sensibilização sobre os problemas do álcool, tabaco e outras drogas para 200 estudantes do 8º e 9º anos. No próximo dia 17, serão atendidos mais 160 alunos.

Utilizando uma metodologia adequada para os adolescentes, os extensionistas conseguiram uma tarefa bastante difícil no campo da prevenção: despertar o interesse dos estudantes pela temática de forma envolvente. O jornalista Crisvalter Medeiros realizou a sensibilização sobre os riscos do uso de substâncias psicotrópicas e a professora Vânia Medeiros aplicou um questionário de identificação de vulnerabilidades para o uso de drogas.

A psicóloga do Instituto Leda Flora Fernandes afirmou que a temática é de muita importância para prevenir o envolvimento dos alunos com situações de risco. Ela disse que o Instituto tem evitado uso de substâncias ilícitas pelos estudantes, mas já foi flagrado um aluno com uma garrafa de refrigerante contendo álcool em uma das festividades da instituição. “Por isso a necessidade de alertá-los para os perigos do uso dessas substâncias” justificou.

A Semana Educacional da instituição contempla outras inicitavas na área da prevenção, a exemplo do bullying, educação sexual, doenças sexualmente transmissíveis, saúde física, hábitos alimentares saudáveis etc. O objetivo do evento foi informar corretamente os estudantes sobre os riscos aos quais eles estão expostos em decorrência da idade. “Sabemos que os alunos têm acesso a muitas informações através de meios alternativos, a exemplo da internet, rede de TV, dentre outros, sendo preciso orientá-los para a compreensão correta dessas informações”, explicou Leda.

A professora Vânia Medeiros, coordenadora do NETDEQ disse que essa foi mais um oportunidade de realizar um trabalho de extensão aumento o âmbito de ação do órgão, que tem prestados relevantes serviços à comunidade e às escolas no Estado da Paraíba. “Precisamos consolidar, ainda mais, as nossas competências através do apoio institucional, para continuar atendendo a uma demanda que só aumento constantemente”, enfatizou.

EDUCAÇÃO E FUTURO DAS CRIANÇAS

Deusimar Wanderley Guedes*

Ao contrário dos animais, os seres humanos dependem da educação para sobreviver.
É importante destacar que devemos entender educação não apenas como sobrevivência, mas com qualidade de vida, com plenitude, com felicidade. Assim afirma Howard Gardner, o descobridor das inteligências múltiplas: “a educação precisa ser vista como um empreendimento muito mais amplo, envolvendo motivação, emoções, práticas e valores sociais e morais”. 
Nesta mesma direção conclamou o poeta inglês Willian Wordsworth: “A criança é o pai do homem’ (The child is father of the man). Isso significa que o destino pessoal de cada ser humano está na dependência da educação. Ela determina o grau no qual os potenciais inatos de cada um serão explorados e utilizados para o seu próprio proveito e para o benefício da sociedade.
Devemos lembrar que educação não é sinônimo de nível de escolaridade. A maior parte  da educação humana ocorre de maneira não formal, por intermédio da convivência, da orientação, da imitação, da diferenciação etc, ou seja, é muito mais antiga e ampla do que as instituições formais chamadas escolas.
Na nossa ótica, o mundo contemporâneo alicerçado no materialismo e no mecanicismo desenfreados, tem provocado uma desumanização dos seres humanos; é como se tudo pudesse ser solucionado apenas com a técnica. Tudo se tornou descartável: casamentos, amizades, e até mesmo a vida humana. Precisamos urgentemente rever nosso conceito de educação, de formação humana, de família; enfim, precisamos reaprender a sermos humanos.
Atestam as teorias contemporâneas sobre motivação humana, que as consciências dos homens não podem ser mobilizadas se seu coração não for tocado. Desta forma, creio, que o modelo da educação atual, peca exatamente pela falta da inclusão dos valores espirituais da verdade, do bom, do bem, da justiça, do amor etc, pois estes são elementos indeléveis da natureza humana, e certamente sua negação ou carência, podem estar na raiz de grande parte dos problemas globais contemporâneos, dentre estes a violência e o uso abusivo de drogas.
As escolas formais da atualidade, geralmente formam excelentes técnicos, mas na maioria das vezes péssimos cidadãos. A valorização do ter em detrimento do ser, alimentada por um egoísmo sem limites, onde cada pessoa vale o que tem, deixou a maioria da população extremamente vulnerável a duas grandes doenças da atualidade, além da desumanização, quais sejam: o estresse e a drogadição.
Desta forma, o modelo social do mundo contemporâneo, cujo combustível principal é o capitalismo selvagem, e consequentemente a desigualdade entre os povos, fez com que estejamos sempre administrando crises individuais, enquanto marchamos direto para catástrofes coletivas.
Precisamos urgentemente de mudanças interiores, de uma revolução humana e humanística que mobilize novos valores e aspirações, apoiados em novos níveis de comprometimento pessoal e de vontade política. Como bem disse o sábio Charles Chaplin: “Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade”.

Psicólogo e advogado
deusimar.dwg@dpf.gov.br