segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ÁLCOOL ESTÁ ASSOCIADO A 30% DOS CASOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E SEXUAL CONTRA MULHERES

Residência foi o local da agressão em 62% dos casos e 40% das vítimas já tinham sido agredidas antes

Veja também:
Vítimas de acidentes representaram 90% dos atendimentos em urgências e emergências
Homens são 71,1% das vítimas de violência urbana

Dados inéditos do Ministério da Saúde mostram que a suspeita de ingestão de bebida alcoólica por parte do provável agressor foi relatada por 30,3% das mulheres vítimas de violências doméstica, sexuais e outras violências, durante todo o ano de 2008. Em 62,7% dos casos de violência contra mulheres, a agressão ocorreu em residência e 39,7% delas afirmaram já terem sido agredidas anteriormente.

Do total de 8.766 vítimas atendidas em unidades de referência, 6.236 foram do sexo feminino (71,1%), incluindo crianças, adolescentes e pessoas idosas. Mulheres casadas ou que viviam em união estável representaram 25,6% das vítimas, enquanto que as solteiras responderam por 38,7% dos registros.

 Os dados são do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), estudo realizado em serviços de referência para atendimento de vítimas de violência doméstica, sexual e outras violências, em 18 municípios de 14 estados. Entre as vítimas do sexo feminino, os casos se concentraram em adolescentes e jovens na faixa dos 10 aos 19 anos (28,8%), crianças de 0 a 9 anos (21%) e mulheres dos 20 aos 29 (19,9%) e dos 30 aos 39 anos (13,9%). As menores concentrações foram identificadas nas faixas etárias de 40 a 49 (7,8%), 60 anos ou mais (4,3%) e de 50 a 59 (3,5%).

 “O estudo permite ao Ministério da Saúde, aos estados e aos municípios traçar o perfil das vítimas e dos autores das agressões, para subsidiar ações de enfrentamento a esses problemas, por meio de políticas públicas de prevenção e de promoção da saúde e da cultura de paz”, avalia Marta Silva, coordenadora da área técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde.

 AUTORIA E LOCAL – Homens foram responsáveis por 70,3% dos casos de violência sexual, doméstica e outras violências contra mulheres. Os agressores foram parceiros com quem elas mantinham relação estável/cônjuge (18,7%), ex-cônjuge (6%), namorado (2,4%) e ex-namorado (2%), o que revela a violência doméstica.

Em 14,2% dos casos, a violência foi praticada pelos pais, o que também evidencia a violência doméstica ou intrafamiliar. Pessoas desconhecidas (13,5%) e amigos (13,3%) também figuram entre os principais prováveis agressores, segundo relatos das vítimas.

Depois da residência, a escola foi o segundo local de ocorrência mais relatado (11%) de violências contra mulheres, porém com percentual menor do que as fichas sem informação (21%).
VIOLÊNCIA CONTRA HOMENS – Das 8.766 vítimas de violência sexual, doméstica e outras violências atendidas em unidades de referência, 2.530 (28,9%) foram homens, no ano de 2008. Entre eles, 30,2% tinham de 0 a 9 anos; 23,4% eram adolescentes entre 10 e 19 anos; e 16,8% tinham entre 20 e 29 anos.

A suspeita do uso de álcool por parte do agressor foi relatada por 27,7% dos homens atendidos nos serviços de referência. Em 56,6% dos casos, o agressor foi outro homem. Os principais autores das agressões foram amigos (15,7%), desconhecidos (16%) e os pais (23,4%) – o que também revela a violência doméstica.

 A casa foi o local da violência em 44,5% dos casos, enquanto 20% ocorreram na escola. Em 24,1% dos registros, não havia informação sobre o local onde aconteceu a violência contra os homens. A chamada violência de repetição, quando a vítima é agredida mais de uma vez, foi observada em 26,3% dos homens atendidos.

 TIPOS DE VIOLÊNCIA – A violência física foi a principal causa de atendimento (55,8%), sendo 52% em pessoas do sexo feminino e 65,1% no sexo masculino. A violência psicológica ou moral foi responsável por 41,2% dos casos – 49,5% em mulheres e 20,8% em homens.

A violência sexual foi responsável por 31,7% dos casos (39% em mulheres e 13,9% em homens). Negligência/abandono foi registrado em 13,6% do total de atendimentos (11,1% no sexo feminino e 19,6% no masculino). No entanto, em 39,3% dos atendimentos não se verificou nenhuma lesão física.

 ESCOLARIDADE – Quanto à escolaridade, considerando o total de pessoas atendidas que sofreram violências, 24,5% das pessoas declararam ter entre 5 e 8 anos de estudo; 21% tinham de 0 a 4 anos de estudo; e 16%, de 9 a 11 anos de frequência na escola.

RAÇA E COR – A análise mostra que 4.026 pessoas (45,9%) declararam ser de cor branca e 3.132 (35,7%), de cor parda. As pessoas que se declararam de cor da pele parda e preta, que representam os negros, totalizaram 43,6% das vítimas de violências. As menores proporções foram encontradas entre amarelos e indígenas (0,6%, cada). As fichas sem informação somam 9,3%.

ENCAMINHAMENTOS – As mulheres foram encaminhadas para os Conselhos Tutelares em 30,8% dos atendimentos e em 25,6% para Delegacia Especializada da Mulher. Quanto ao encaminhamento dos homens, 29,9% foram para os Conselhos Tutelares e em 20% para outras delegacias.

AÇÕES DO MINISTÉRIO – Para estimular o enfrentamento dos acidentes e violências, o Ministério da Saúde vem desenvolvendo, junto com as Secretarias de Saúde de estados, de municípios e do Distrito Federal, ações que seguem as Políticas Nacionais de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências e de Promoção da Saúde.

Destaque para os Núcleos de Prevenção de Violências e Promoção da Saúde, presentes em 450 municípios, de todos os estados, com investimento anual de R$ 34 milhões. Eles têm papel fundamental na articulação e implementação de redes de atenção e proteção às vítimas de violência e suas famílias. Desenvolvidas em parceria com outros setores, como assistência social, educação, direitos humanos e segurança pública, as ações são voltadas para a prevenção das violências (incluindo a doméstica e a sexual) entre jovens, mulheres e idosos. Também são importantes as ações de prevenção do Programa Saúde nas Escolas – uma parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação, presente em 2.549 municípios, em todos os estados. Em 2009 e 2010, foram investidos R$ 93,6 milhões.

Outra iniciativa é a parceria com o Ministério da Justiça, por meio do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), em articulação com as Unidades de Saúde da Família, e da Campanha Nacional do Desarmamento.

A redução do uso abusivo de álcool e outras drogas também tem sido uma prioridade no setor saúde para a prevenção das violências, por meio de medidas de educação permanente, campanhas, acesso a tratamento de dependentes e medidas de fiscalização e controle, definidas na Política Nacional sobre o Álcool, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e o Ministério da Justiça.

Nessa área, também se destaca o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (PEAD 2009-2010), elaborado pelos Ministérios da Saúde e da Justiça e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

 “Todas essas ações são desenvolvidas em articulação com outros setores do governo, organizações não-governamentais e setor privado, seja por meio de campanhas que busquem a promoção de comportamentos, hábitos e ambientes seguros e saudáveis, bem como a mobilização e participação da sociedade”, comenta Marta Silva. 
Fonte: portal.saude.gov.br 


Caracterização das vítimas de violência doméstica, sexual e outras violências por sexo. Municípios selecionados – Brasil, 2008:

Masculino
Feminino
Total
Características
(n=2530)
(n=6236)
(n=8766)
n
%
n
%
n
%
Faixa etária (anos)
0 a 9
763
30,2
1312
21,0
2075
23,7
10 a 19
591
23,4
1798
28,8
2389
27,3
20 a 29
424
16,8
1243
19,9
1667
19,0
30 a 39
281
11,1
864
13,9
1145
13,1
40 a 49
176
7,0
486
7,8
662
7,6
50 a 59
97
3,8
220
3,5
317
3,6
60 e +
182
7,2
269
4,3
451
5,1
Sem informação
16
0,6
44
0,7
60
0,7
Raça/cor
Branca
1098
43,4
2928
47,0
4026
45,9
Preta
182
7,2
509
8,2
691
7,9
Amarela
16
0,6
39
0,6
55
0,6
Parda
880
34,8
2252
36,1
3132
35,7
Indígena
27
1,1
22
0,4
49
0,6
Sem informação
327
12,9
486
7,8
813
9,3
Escolaridade (anos)
0 a 4
604
23,9
1233
19,8
1837
21,0
5 a 8
520
20,6
1627
26,1
2147
24,5
9 a 11
390
15,4
1015
16,3
1405
16,0
12 e mais
149
5,9
755
12,1
904
10,3
Sem informação
867
34,3
1606
25,8
2473
28,2
Situação conjugal
Solteiro (a)
999
39,5
2415
38,7
3414
38,9
Casado/união consensual
395
15,6
1598
25,6
1993
22,7
Viúvo (a)
46
1,8
161
2,6
207
2,4
Separado (a)
97
3,8
287
4,6
384
4,4
Não se aplica
678
26,8
1177
18,9
1855
21,2
Sem informação
315
12,5
598
9,6
913
10,4
Deficiência física
Sim
52
2,1
88
1,4
140
1,6
Deficiência mental
Sim
67
5,6
134
2,1
201
2,3
Deficiência visual
Sim
31
1,2
46
0,7
77
0,9
Deficiência auditiva
Sim
20
0,8
39
0,6
59
0,7
Outra deficiência
Sim
47
1,9
83
1,6
130
1,6
Local de ocorrência
Residência
1127
44,5
3909
62,7
5036
57,4
Habitação coletiva
12
0,5
28
0,4
40
0,5
Escola
507
20,0
685
11,0
1192
13,6
Local de prática esportiva
30
1,2
60
1,0
90
1,0
Bar ou similar
47
1,9
51
0,8
98
1,1
Via pública
6
0,2
21
0,3
27
0,3
Comércio/serviços
177
7,0
162
2,6
339
3,9
Indústrias/construção
7
0,3
2
0,0
9
0,1
Outro
8
0,3
9
0,1
17
0,2
Sem informação
609
24,1
1309
21,0
1918
21,9
Violência de repetição
Sim
666
26,3
2477
39,7
3143
35,9
Fonte: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA).

Caracterização dos atendimentos por violência doméstica, sexual e outras violências por sexo. Municípios selecionados – Brasil, 2008.
Características
Masculino
Feminino
Total
(n=2530)
(n=6236)
(n=8766)
n
%
n
%
n
%
Tipo de Violênciaa
Física
1648
65,1
3240
52,0
4888
55,8
Psicológica/moral
527
20,8
3087
49,5
3614
41,2
Negligência/abandono
496
19,6
694
11,1
1190
13,6
Sexual
351
13,9
2429
39,0
2780
31,7
Tráfico de seres humanos
9
0,4
20
0,3
29
0,3
Financeira
55
2,2
135
2,2
190
2,2
Tortura
24
0,9
101
1,6
125
1,4
Trabalho infantil
10
0,4
12
0,2
22
0,3
Patrimonial
2
0,1
24
0,4
26
0,3
Meio de Agressãoa
Objeto perfurocortante
372
14,7
390
6,3
762
8,7
Arma de fogo
180
7,1
257
4,1
437
5,0
Objeto contundente
319
12,6
379
6,1
698
8,0
Força corporal
776
30,7
2572
41,2
3348
38,2
Enforcamento/sufocação
59
2,3
152
2,4
211
2,4
Queimaduras
57
2,3
82
1,3
139
1,6
Outros
481
19,0
1622
26,0
2103
24,0
Natureza da Lesão Corporal
Sem lesão
591
23,4
2854
45,8
3445
39,3
Fratura
136
5,4
91
1,5
227
2,6
Entorse/luxação
59
2,3
134
2,1
193
2,2
Corte/perfuração/laceração
712
28,1
517
8,3
1229
14,0
Contusão
168
6,6
571
9,2
739
8,4
Queimadura
48
1,9
57
0,9
105
1,2
Traumatismo crânio-encefálico
55
2,2
43
0,7
98
1,1
Órgãos internos do abdômen
10
0,4
13
0,2
23
0,3
Órgãos internos do tórax
14
0,6
15
0,2
29
0,3
Vasos sanguíneos
14
0,6
92
1,5
106
1,2
Nervos
1
0,0
5
0,1
6
0,1
Intoxicação
138
5,5
278
4,5
416
4,7
Amputação
5
0,2
8
0,1
13
0,1
Traumatismo dentário
8
0,3
10
0,2
18
0,2
Outros
257
10,2
584
9,4
841
9,6
Sem informação
314
12,4
964
15,5
1278
14,6
Parte do corpo atingidaa
Cabeça/face
740
29,2
1036
16,6
1776
20,3
Pescoço
159
6,3
355
5,7
514
5,9
Boca/dente
155
6,1
235
3,8
390
4,4
Coluna
51
2,0
82
1,3
133
1,5
Tórax
244
9,6
393
6,3
637
7,3
Abdome/quadril
156
6,2
265
4,2
421
4,8
Membros superiores
426
16,8
737
11,8
1163
13,3
Membros inferiores
239
9,4
423
6,8
662
7,6
Outras
283
11,2
580
9,3
863
9,8
Lesão Autoprovocada
Sim
308
12,2
558
8,9
866
9,9
Fonte: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes ª Não corresponde a 100%, pois trata-se de uma questão de múltipla escolha.

Caracterização do provável autor da agressão a vítimas de violência doméstica, sexual e outras violências, por sexo. Municípios selecionados – Brasil, 2008.

Características
Masculino
Feminino
Total
(n=2530)
(n=6236)
(n=8766)
n
%
n
%
n
%
Número de envolvidos
Um
1379
54,5
4706
75,5
6085
69,4
Dois ou mais
678
26,8
984
15,8
1662
19,0
Sem informação
473
18,7
546
8,8
1019
11,6
Sexo do provável autor de agressão
Masculino
1431
56,6
4385
70,3
5816
66,3
Feminino
401
15,8
1040
16,7
1441
16,4
Ambos os sexos
199
7,9
256
4,1
455
5,2
Sem informação
499
19,7
555
8,9
1054
12,0
Relação com a vítimaa
Pai
249
9,8
477
7,6
726
8,3
Mãe
345
13,6
410
6,6
755
8,6
Padrasto
63
2,5
280
4,5
343
3,9
Madrasta
9
0,4
22
0,4
31
0,4
Cônjuge
75
3,0
1165
18,7
1240
14,1
Ex-cônjuge
17
0,7
375
6,0
392
4,5
Namorado (a)
12
0,5
152
2,4
164
1,9
Ex-namorado (a)
13
0,5
122
2,0
135
1,5
Amigos
396
15,7
829
13,3
1225
14,0
Desconhecido
404
16,0
841
13,5
1245
14,2
Cuidador (a)
32
1,3
58
0,9
90
1,0
Patrão
25
1,0
55
0,9
80
0,9
Pessoa com relação institucional
20
0,8
44
0,7
64
0,7
Outros
576
22,8
1281
20,5
1857
21,2
Suspeita de uso de álcool
Sim
702
27,7
1890
30,3
2592
29,6
Fonte: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA).
ª Não corresponde a 100%, pois trata-se de uma questão de múltipla escolha..

Outras informações
Atendimento à Imprensa
(61) 3315 3580 e 3315 2351
Atendimento ao cidadão
0800 61 1997 e (61) 3315 2425

Nenhum comentário:

Postar um comentário